- Uma magistrada investigativa francesa citou duas nacionais franco-israelenses, Nili Kupfer-Naouri e Rachel Touitou, por suposta “complicidade de genocídio” ao tentar bloquear a entrega de ajuda humanitária à Gaza.
- Os mandados foram emitidos em julho e, segundo a imprensa, representam a primeira vez que um país considera o bloqueio de ajuda como genocídio.
- Touitou, associada ao grupo Tsav 9, e Kupfer-Naouri, ligada à Israel is Forever, precisam comparecer perante a magistrada, mas não foram presas.
- Os mandados não configuram prisão automática; há possibilidade de detenção após entrevista, e os mandados podem ser emitidos sem aprovação de procuradores antiterrorismo.
- A ação teve origem numa denúncia de organizações palestinas de direitos humanos, incluindo o Centro Palestino de Direitos Humanos, e é apresentada como reconhecimento judicial de que privações deliberadas de ajuda podem configurar cumplicidade em genocídio.
Um magistrado de instrução francês emitiu mandados de comparência a dois nacionais franco-israelenses, Nili Kupfer-Naouri e Rachel Touitou, por suposta participação em genocídio. A denúncia alega que teriam tentado obstruir a entrega de ajuda humanitária a Gaza.
Os mandados, emitidos em julho, não exigem prisão automática. Touitou está associada ao grupo Tsav 9, que resistiu às operações de ajuda humanitária, e Kupfer-Naouri integra a organização Israel is Forever, que apoiou tais ações, segundo as informações divulgadas pela imprensa.
Contexto e desdobramentos
As acusações foram apresentadas com base na queixa inicial do ano passado, de organizações palestinas como o Palestinian Centre for Human Rights, Al-Haq e Al Mezan. A investigação marcaria pela primeira vez no direito francês a ideia de que bloquear ajuda pode configurar complicidade em genocídio.
Agentes franceses também investigam outros ativistas pró-Israel, com fontes próximas ao caso mencionando a possibilidade de mandados adicionais para cerca de 10 pessoas. As medidas foram discutidas sem que haja prisão imediata dos envolvidos.
Resposta das partes envolvidas
Kupfer-Naouri classificou o inquérito como ataque antissemita e afirmou que não poderá retornar à França, enquanto Touitou alegou perseguição política e disse que as ações do Tsav 9 visaram responder a desvio de ajuda por parte de Hamas.
Historicamente, a guerra em Gaza provocou restrições à entrega de suprimentos e uma crise humanitária que, em alguns momentos, foi descrita como fome causada pelo bloqueio logístico. As informações citam sanções anteriores dos EUA contra Tsav 9, em 2024, posteriormente suspensas.
Fontes e credenciamento
A denúncia inicial foi veiculada pelo Le Monde, com apoio de Agence France-Presse. A reportagem cita posicionamentos oficiais franceses e declarações públicas dos envolvidos nas redes sociais. Não há detalhes de data de audiência definitiva ou de prisão.
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