- A Human Rights Watch afirma que o mundo vive uma “recessão democrática”, com 72% da população global sob regimes autocráticos, nível não visto desde a década de oitenta, conforme o relatório.
- O documento aponta que 2025 foi um ponto de virada para direitos e liberdades nos Estados Unidos, com ataques a pilares da democracia e ao sistema internacional baseado em regras.
- Entre os abusos citados, estão ataques à confiança na lisura das eleições, queda da responsabilização governamental, estão enfraquecimento da independência do judiciário, desrespeito a ordens judiciais e intimidação de opositores, mídia, universidades e sociedade civil.
- Além dos Estados Unidos, Rússia e China são apontadas como forças que prejudicam a ordem global baseada em regras, ampliando impactos em todo o mundo.
- O HRW defende que democracias formem uma aliança estratégica para preservar a ordem internacional, com participação da sociedade civil, e ressalta sinais de protestos positivos em diferentes regiões.
A Human Rights Watch (HRW) afirma que o mundo enfrenta uma “recessão democrática”, com quase 75% da população vivendo sob regimes autocráticos. O relatório anual aponta que o sistema de direitos humanos está em risco devido a uma onda autoritária crescente.
Philippe Bolopion, diretor-executivo da HRW, disse que 2025 foi um ponto de ruptura para direitos e liberdades nos EUA. Em um ano, a administração de Donald Trump ampliou ataques a pilares da democracia americana e à ordem internacional baseada em regras.
Segundo Bolopion, há evidências diárias de uma tendência organizada e persistente de minar freios e contrapesos que limitam o poder executivo nos EUA, sistema criado para proteger direitos. Ele pediu que democracias formem alianças para preservar a ordem internacional.
Crescimento do autoritarismo e impactos globais
A HRW cita ações da gestão Trump, de ataques à confiança nas eleições e à independência judiciária, a abusos de poderes governamentais contra opositores, mídia e sociedade civil. Também aponta riscos de deportação para países onde há risco de tortura.
O relatório atribui a ações chinesas e russas a dois pilares: enfraquecer o sistema global baseado em normas e ampliar vantagens estratégicas. O conjunto de medidas resulta em impactos em direitos humanos ao redor do mundo.
A HRW destaca ainda o Reino Unido, citando ataques a direitos em 2025, com política de imigração punitiva e restrições ao direito de protestar, além de crises econômicas que afetam famílias. A organização alerta sobre retórica anti-imigração como elemento de direita radical.
Bolopion aponta que a reconfiguração global favorece uma coalizão de democracias comprometidas com a governança multilateral. Segundo ele, essa frente pode se tornar um bloco econômico relevante e influente no Conselho de Segurança da ONU.
Apesar das críticas, a HRW aponta sinais de esperança, como protestos anti-ICE nos EUA e mobilizações em Irã e em várias regiões contra medidas que restringem liberdades. O grupo reforça a importância da atuação civil para enfrentar o cenário atual.
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