- A França deve aprovar o orçamento de 2026 na próxima segunda-feira, após o fracasso de duas moções de desconfiança, abrindo espaço de estabilidade para o governo minoritário de Sebastien Lecornu.
- As negociações orçamentárias, que se arrastam há quase dois anos, ocorreram em meio a um enorme rombo fiscal herdado de Macron e a uma eleição parlamentar interrompida.
- Mesmo com deficit ainda em torno de cinco por cento do PIB, investidores ficaram mais confiantes com a nova estabilidade, e o prêmio da dívida em relação ao bund alemão recuou a níveis vistos em junho de 2024.
- Os Socialistas não irão apoiar as moções de desconfiança, o que viabiliza a aprovação do orçamento de 2026 após as votações.
- Com o impasse, reformas importantes foram pausadas—incluindo a reforma da previdência—enquanto Macron prioriza política externa; Lecornu ganhou destaque político ao facilitar acordos.
A França deve aprovar o orçamento de 2026 nesta segunda-feira, encerrando meses de impasse após duas moções de censura falharem. O governo minoritário de Sébastien Lecornu abre espaço para uma fase de maior estabilidade política.
As negociações orçamentárias consumiram a classe política por quase dois anos, desde que Macron venceu a eleição de 2024 em meio a um parlamento fragmentado. Um grande déficit exigia medidas de ajuste para evitar instabilidade fiscal.
Lecornu, cuja nomeação em duas etapas gerou críticas internacionais, garantiu o apoio de parlamentares socialistas com concessões, elevando seu perfil político apesar do déficit de 5% do PIB.
A reação do mercado foi mista: o prêmio da dívida francesa frente ao título alemão recuou a patamares vistos em 2024, sinalizando alívio com a continuidade da estabilidade.
Os socialistas afirmam não apoiar as moções de censura, o que facilita a adoção do orçamento de 2026, já com mais de um mês de atraso. A suspensão da reforma da previdência foi uma consequência política central.
A reforma da previdência ficou temporariamente suspensa até as eleições presidenciais de 2027, quando o debate sobre a idade de aposentadoria pode voltar à tona. O pleito europeu concentra atenções para o equilíbrio político.
Com menos de um ano para o próximo pleito, o governo busca consolidar resultados sem novas mudanças profundas de orçamento antes da eleição, mantendo o foco em políticas externas e atração de investimentos.
A situação interna deixa o bloco centrista sem um sucessor claro, com duas ex-primeiras-ministras de Macron fortalecendo a corrida presidencial. Lecornu, por sua vez, ganhou adesões internas e mantém relevância no mapa político.
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