- A Polícia Federal flagrou o prefeito de Paraú, João Evaristo Peixoto (Júnior Evaristo, PP), negociando propina e pedindo um “brinde do dia das mães” ao sócio da empresa fornecedora de medicamentos.
- A operação Mederi investiga desvio de verbas na compra de remédios por prefeituras de cinco cidades no Rio Grande do Norte, incluindo Paraú, Serra do Mel, Mossoró, São Miguel e José da Penha.
- Mandados de busca e apreensão foram cumpridos; na sede da Dismed, a PF encontrou R$ 52 mil em dinheiro vivo.
- A PF aponta que o empresário Oseas Monthalggan Fernandes Costa atuaria como articulador comercial, enquanto o prefeito seria o elo na administração para viabilizar as operações; há menção a comissões de 10%.
- O desembargador negou o afastamento do prefeito, mas determinou fiança de R$ 100 mil e uso de tornozeleira eletrônica; Oseas teve a suspensão de atividade econômica decretada.
O prefeito de Paraú (RN), João Evaristo Peixoto, o Júnior Evaristo (PP), foi flagrado pela Polícia Federal negociando propina com o sócio da empresa que fornece medicamentos ao município. A PF também apurou a oferta de um “brinde do dia das mães” ao representante da empresa, em meio a uma acusação de desvio de verbas em compras de remédios.
A operação, chamada Mederi, mira contratos de abastecimento de remédios em pelo menos cinco cidades do Rio Grande do Norte: Paraú, Serra do Mel, Mossoró, São Miguel e José da Penha. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na última terça-feira, determinados pelo desembargador Rogério Fialho Moreira, do TRF-5.
A investigação teve início após o recebimento de informes do Coaf sobre saques em espécie relevantes na conta da empresa. Na sede da Dismed, a PF encontrou 52 mil reais em uma caixa de isopor, dinheiro que a empresa afirma ter origem lícita.
Flagra e impactos iniciais
A conversa entre Júnior Evaristo e Oseas Monthalggan Fernandes Costa, sócio da Dismed, foi gravada na sala da empresa em Mossoró, em 8 de maio de 2025. Oseas aparece manipulando dinheiro vivo antes de tratar de comissões sobre compras de remédios.
A PF aponta que houve menção a um percentual de 10% nas negociações. A expressão de Júnior Evaristo sobre o uso de um presente “no nome da empresa” indica a aceitação de benefícios pelo gestor público, segundo os agentes.
A atuação de Oseas é descrita pela PF como articulador comercial, com controle de valores, prazos e procedimentos administrativos. O prefeito, segundo o órgão, seria o elo necessário para viabilizar as operações.
Montante de pagamentos e movimentação
Entre 8 de abril e 5 de maio, a prefeitura de Paraú realizou seis pagamentos somando 48,1 mil reais, valores compatíveis com as tratativas da conversa. De 2024 a 2025, a Dismed recebeu da prefeitura 336,8 mil reais em pagamentos de medicamentos.
A PF sustenta que há um padrão de conduta envolvendo familiaridade excessiva entre o gestor público e o fornecedor, inclusão de valores discutidos em ambiente reservado e tentativas de manter exclusividade nas contratações.
Medidas judiciais e posicionamentos
O juiz do TRF-5 negou o afastamento do prefeito, considerando a medida extrema, mas determinou fiança de 100 mil reais e o uso de tornozeleira eletrônica. O sócio da Dismed teve a suspensão de atividade econômica decretada.
As prefeituras envolvidas foram requisitadas a apresentar todos os contratos firmados com a Dismed e as demais empresas investigadas. A defesa da Dismed e de Oseas afirma que aguardam acesso aos autos para esclarecer eventuais equívocos e mantém que a empresa atua de forma lícita há 18 anos.
A PF solicitou ainda a quebra de sigilos e o aprofundamento das investigações para confirmar os fatos narrados e apurar demais contratos com fornecedores na região.
Entre na conversa da comunidade