- A lógica da necropolítica mostra favelas e periferias como espaços de exceção, onde o Estado governa pela força e pela ameaça de morte, afetando direitos básicos como educação e serviços.
- Além da presença policial, facções criminosas e milícias definem ordens paralelas, usando o medo para regular circulação, punição e cobrança de renda.
- Moradores aparecem como cidadãos no papel, mas despossuídos de direitos na prática, vivendo em constante incerteza ao sair de casa, trabalhar ou estudar.
- Experiências históricas, como Medellín, Gaza e apartheids, indicam que regimes de ocupação ou segregação não são inevitáveis e que políticas públicas podem mudar esse panorama.
- A lição para o Rio de Janeiro é romper o ciclo da exceção, substituindo a soberania da ameaça por políticas de direitos, cidadania universal e presença estatal que valorize a vida.
O texto analisa como a necropolítica molda a vida nas favelas e periferias do Rio de Janeiro, sob o prisma de Achille Mbembe. Segundo o conceito, a soberania envolve decidir quem pode viver ou morrer. A análise parte da ideia de que a violência não é apenas falha do Estado, mas forma de governo em territórios marcados pela exceção.
O artigo descreve três atores: o Estado e suas operações policial-militarizadas; as facções do tráfico que exercem ordem paralela; e as milícias que privatizam a soberania. A vida cotidiana é regida pelo medo, pela circulação controlada e pela supressão de direitos básicos. A morte funciona como disciplina.
No centro estão os moradores, cidadãos de direito, mas desprovidos de proteção prática. O cotidiano depende de decisões de forças externas ao seu controle, transformando a vida em sobrevivência. Mbembe é apresentado como marco para entender esse regime de vida exposta.
Contexto histórico e comparação
A análise coloca a favela como território de exceção permanente, comparando com Gaza e com o Apartheid sul-africano. Em todos os casos, a vida vale menos e a exceção vira regra. A leitura destaca que a presença do Estado não é ausente, mas prioriza a coerção para governar.
A partir de Medellín, no início dos anos 2000, o texto aponta mudança de foco: investir em mobilidade, educação e cultura para reduzir a letalidade. A polícia continua, mas não é mais único rosto do Estado; políticas sociais passam a reconfigurar o território.
Lições para o Rio
A matéria sustenta que romper a necropolítica exige trocar a soberania da ameaça por direitos. Segurança pública depende de cidadania efetiva, políticas universais e presença estatal orientada à vida. A conclusão sugere que o caminho é a construção de condições para direitos plenos, não apenas ações repressivas.
Perspectivas internacionais e nacionais
Processos de redemocratização mostram que reduzir violência institucional envolve controle civil das polícias e ampliação de políticas públicas. O texto ressalta que a cidadania seletiva precisa ser rejeitada para transformar territórios marcados pela exceção em espaços de convivência.
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