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A luta curda por direitos e terras busca reconhecimento internacional

Em meio a conflitos na Síria, Turquia, Iraque e Irã, curdos buscam autonomia e direitos linguísticos, com avanços e recuos políticos

Syria's President Ahmed al-Sharaa delivers a speech on the first anniversary of Bashar al-Assad's fall
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  • Síria: os curdos somam cerca de 10% da população; durante a guerra, o PYD e a milícia YPG estabeleceram autogoverno em regiões do norte, com apoio dos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico, e o governo de Assad tem reconfigurado o mapa, levando a recuo das forças curdas e a um decreto de 16 de janeiro que reconhece o curdo como língua nacional na rede escolar.
  • Turquia: os curdos representam cerca de 20% da população, concentrados no sudeste; o Partido dos Trabalhadores do Kurdistão (PKK) luta desde 1984 por autonomia, com mais de quarenta mil mortos; processo de paz iniciado em 2025 estagnou desde então, e o governo turco classifica o PKK como grupo terrorista.
  • Turquia e fronteira: Ancara já realizou operações militares no norte do Iraque e na Síria para conter o PKK, enquanto autoridades dizem que acontecimentos na Síria podem reimpulsionar o processo de paz na Turquia.
  • Iraque: os curdos formam entre 15% e 20% da população; o Kurdistão, autônomo desde 1991, ganhou reconhecimento após a invasão de 2003; em 2017 houve referendo de independência que provocou retaliações de Bagdá, com Kirkuk sendo retomada mais tarde.
  • Irã: os curdos correspondem a cerca de 10% da população; grupos separatistas operam a partir do Curdistão iraquiano e a região tem sido palco de tensões e protestos desde 2025, com repressões e mobilizações contínuas.
  • Contexto histórico: os curdos ficaram sem Estado após o colapso do Império Otomano; tratados de Sevres (promessa de independência) e Lausana (definição de fronteiras) moldaram a situação; o território é montanhoso, abrangendo partes de Armênia, Iraque, Irã, Síria e Turquia.

O povo curdo é uma etnia concentrada em uma região montanhosa que atravessa fronteiras entre Armênia, Iraque, Irã, Síria e Turquia. Tradicionalmente, é majoritariamente muçulmano sunita e não possui país próprio há mais de um século.

A busca por identidade e território ganhou força no final do século XIX. Em 1920, o Tratado de Sèvres prometeu independência, mas o reconhecimento foi retirado com a vitória turca na Guerra de Independência. Em 1924, a Liga de Lausanne definiu novas fronteiras.

Regiões onde os curdos vivem receberam status variados ao longo das décadas. O conjunto de fatores históricos, políticos e geográficos moldou as relações com os estados vizinhos e alimentou mobilizações locais por direitos e autonomia.

Síria

Os curdos somam cerca de 10% da população síria. O regime de Bashar al-Assad limitou cidadania, proibiu a língua Kurda e reprimiu atividades políticas kurdas. Em 2011, com a guerra civil, o PYD e a milícia YPG consolidaram autogoverno em áreas do norte.

A YPG, sob o guarda-chuva das Forças Democráticas da Síria, firmou parceria com os EUA no combate ao Estado Islâmico. Com a saída de Assad em 2024, os grupos curdos buscaram manter autonomia diante de um novo cenário de poder.

O governo sírio reconheceu a língua curda como nacional, ao lado do árabe, em decreto de 16 de janeiro. Contudo, avanços políticos recentes obrigam a retirada de áreas para o controle de forças governistas, enfraquecendo a convivência autonômica.

Turquia

Os curdos representam cerca de 20% da população turca, concentrados principalmente no sudeste. O PKK iniciou um conflito armado em 1984, buscando autonomia e direitos para os curdos, resultando em mais de 40 mil mortes.

O líder do PKK, Abdullah Öcalan, permanece preso desde 1999. Em 2025, a Turquia iniciou um processo de paz com o PKK, que chegou a recuar ante a falta de progressos, com avanços considerados limitados desde então.

O governo turco permitiu o uso da língua curda entre 2000 e 2010, em medidas posteriores houve restrições. Países ocidentais classificam o PKK como organização terrorista. Tensões com o YPG na Síria também influem nas políticas internas.

Iraque

Os curdos respondem por 15-20% da população do norte do Iraque, na região do Curdistão. Saddam Hussein perseguiu curdos na década de 1980, com uso de gás e expulsões, até a Guerra do Golfo de 1991.

Após 2003, a região autônoma curda no Iraque ganhou governança própria, com orçamento partilhado entre Bagdá e Erbil. Em 2014, durante o avanço do Estado Islâmico, curdos expandiram território, inclusive Kirkuk.

O referendo de independência de 2017 gerou retaliação de Bagdá e de potências regionais, com retomada de áreas disputadas. Desde então, as relações entre o centro e Erbil melhoraram, embora haja tensões sobre petróleo e repartição de receitas.

Irã

Os curdos no Irã somam cerca de 10% da população. Organizações de direitos humanos apontam discriminação, apesar das alegações do governo de não haver perseguição sistemática.

Grupos separatistas curdos, com bases no Curdistão iraquiano, são alvo de ações iranianas para cessar atividades. O Irã enfrenta protestos de 2025 a 2026 que elevaram a tensão em regiões curdas e tentativas de cruzar fronteira.

A situação regional mostra uma geografia de mobilizações por direitos, autonomia e reconhecimento cultural, com mudanças políticas que variam conforme cada país e setor de atuação curdo.

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