- Documentos de 2005 mostram que o governo Howard planejava fechar escolas e fronteiras internacionais em caso de pandemia de gripe, com possíveis restrições de viagem e quarentenas.
- O então ministro das Relações Exteriores, Alexander Downer, alertou sobre o risco de a cepa H5N1 evoluir para uma pandemia com consequências devastadoras.
- O planejamento indicava respostas nacionais semelhantes a um ataque terrorista ou desastre natural, incluindo suspensão de cruzeiros, restrições a voos e medidas de comunicação para evitar pânico.
- Havia estoque de antiviral para quase 20% da população e testes de vacina nacional em andamento; autoridades discutiam uso de Tamiflu e Relenza.
- O relatório destacava baixa preparação de países como China, Indonésia e Vietnã, dificuldades previstas de evacuação de australianos no exterior e custos elevados, além de mencionar a importância de um plano de resposta diante de um grande surto.
Em 2005, autoridades sanitárias australianas alertaram o governo de que uma pandemia causada pela gripe H5N1 poderia exigir medidas extremas, como fechamento de escolas e fronteiras. O alerta partiu de unidades de saúde e da equipe de ministros. O objetivo era reduzir a transmissão em caso de evolução do vírus.
Documentos de gabinete, tornados públicos pelo National Archives of Australia, mostram que o planejamento para uma pandemia alcançou o comitê de segurança nacional do gabinete em outubro de 2005, dois anos após o SARS. O objetivo era prever respostas rápidas diante de um cenário de transmissão entre humanos.
O que foi discutido em 2005
Em novembro de 2005, o então ministro das Relações Exteriores, Alexander Downer, informou aos colegas seniores que havia risco significativo de mutação da gripe H5N1, tornando-se vírus facilmente transmissível entre pessoas. O cenário poderia trazer consequências potencialmente devastadoras para a Austrália e o mundo.
Os documentos apontaram medidas como proibição de cruzeiros e entrada de aeronaves estrangeiras, além da possibilidade de isolamento de viajantes para conter o contágio. Também foi considerado o fechamento de escolas e de atividades econômicas.
Impactos e previsões contidos nos materiais
Autoridades destacaram possíveis consequências de uma pandemia severa, incluindo perda de vidas, choque econômico e interrupção do comércio internacional, especialmente com controles de fronteira rígidos. O texto apontou vulnerabilidade de moradores no exterior em áreas atingidas.
A nota ressaltou que o intervalo entre a detecção de um surto e a imposição de medidas locais poderia ser curto, elevando o risco de cidadãos ficarem retidos no exterior. O comitê solicitou avaliação de cenários para manter serviços públicos.
Preparação, execução e recursos disponíveis
O relatório revelou que o país mantinha estoques de antivirais suficientes para quase 20% da população e que testes de uma vacina produzida no país estavam em andamento. Também houve menção a testes de resposta do governo em simulações.
O gabinete foi informado sobre a disponibilidade de cursos de ação internacionais, com países como China, Indonésia e Vietnã apresentando baixos níveis de preparo para um surto. Planejava-se apoio a australianos no exterior.
Limites de planejamento e lições para o presente
As notas indicaram que, em caso de pandemia, evacuações de australianos no exterior seriam difíceis e caras. Também foi discutida a necessidade de considerar a situação de mais de um milhão de estrangeiros residentes na Austrália.
Foram discutidos usos de medicamentos como Tamiflu e Relenza, além de planos para exercícios de resposta governamental. A análise enfatizava a coordenação entre governo federal e governos estaduais para manter serviços e evitar pânico.
Contexto atual
Em outubro de 2024, uma revisão nacional sobre a resposta à Covid-19 concluiu que houve perda de confiança de muitos cidadãos nas respostas governamentais durante a pandemia. O país registrou mais de 21 mil mortes entre março de 2020 e janeiro de 2024.
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