- O governo da Inglaterra deve apoiar, pela primeira vez, a regulamentação da indústria funerária após uma série de escândalos com o manejo de restos mortais.
- Um inquérito oficial, liderado por Sir Jonathan Michael, concluiu haver falha sistêmica e defende um regime regulatório com licenciamento, poderes de fiscalização e inspeção obrigatória.
- Casos recentes incluem a condenação de diretores de uma funerária em Hampshire por fraude e seis corpos encontrados em uma sala de abordagem; além de denúncias envolvendo a Legacies Independent Funeral Directors, com 35 corpos encontrados.
- Há debates sobre ampliar a supervisão para a Autoridade de Tecido Humano (HTA) ou permitir inspeções por autoridades locais, com respostas formais previstas nos próximos meses.
- Parlamentares, famílias enlutadas e entidades do setor pedem regras claras e padrões mais rígidos para proteger quem usa serviços funerários, com propostas a serem anunciadas em breve pelo governo.
A necessidade de regulamentação na indústria funerária da Inglaterra ganhou apoio ministerial pela primeira vez, após uma sequência de escândalos no manejo de restos mortais. Famílias enlutadas pedem criação de órgão investigativo e regras sobre certificação profissional, após relatório oficial classificar o setor como “livre e não regulamentado”.
A investigação conduzida pelo fiscal Sir Jonathan Michael apontou falhas sistêmicas na Inglaterra em monitorar quem lida com restos mortais. Propostas incluem licenciamento, poderes de fiscalização e inspeção obrigatória. Em paralelo, graves casos recentes intensificam o debate.
Na semana passada, diretores de uma funerária em Hampshire foram condenados após encontrarem seis corpos em estado de decomposição numa sala de necrotério. Richard Elkin, 49, e Hayley Bell, 42, subsidiaram a empresa Gosport, e podem pegar pena de prisão em fevereiro.
Mark Sewards, deputado do Labour, afirmou que é inaceitável o England não possuir regulação para funerárias, colocando o país como exceção entre estados ocidentais. Ele destacou vulnerabilidade de famílias diante de decisões sob luto.
Sewards ativou a campanha após denúncia de Florrie’s Army, serviço de apoio a perda de bebê em Leeds, banido do NHS. Zoe Ward relatou que o funeral do filho Bleu foi marcado por irregularidades observadas na casa de Amy Upton, proprietária da instituição.
Relatos de 35 corpos encontrados no espaço de Legacies Independent Funeral Directors também mobilizaram atenções. O proprietário Robert Bush se declarou culpado de fraudes, enquanto nega obstrução de sepultamento. Ele aguarda julgamento em outubro.
Organizações do setor defendem que a HTA, atual regulador de tecidos humanos, amplie atuação para cobrir cerca de 4.500 funeral directors na Inglaterra. A medida exigiria expansão significativa do corpo regulador, com mais inspeções.
Outra opção discutida é que autoridades locais assumam inspeções, em paralelo a verificações de conformidade de segurança de locais de trabalho. A proposta busca ampliar fiscalização similar à de bancos de regras de saúde e segurança.
Alex Davies-Jones, ministra das Vítimas, deve detalhar a resposta inicial do governo ao inquérito Fuller nas próximas semanas, com propostas de maior rigidez regulatória previstas para o verão. O governo reafirmou compromisso com padrões elevados de dignidade.
Um porta-voz oficial afirmou que se estuda o conjunto de opções para melhorar padrões, expressando pesar às famílias afetadas. A fala reforça a intenção de agir diante das falhas observadas no tratamento de restos mortais.
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