- Dois livros novos oferecem explicações sobre as causas do conflito israelense-palestino, mas quase não apresentam caminhos para a solução.
- O historiador Omer Bartov culpa a transformação de Israel por interpretar o Holocausto como ameaça constante e pela ausência de uma constituição liberal, o que alimenta a ocupação e a violência.
- Bartov também destaca que a democracia em Israel é frágil, com críticas à ocupação da Cisjordânia, embora permaneça entre as democracias liberais segundo índices internacionais.
- Aziz Abu Sarah e Maoz Inon propõem reconciliação por meio de uma caminhada de oito dias entre Israel e Cisjordânia, defendendo empatia entre as narrativas e início de um processo baseado na boa vontade das pessoas comuns.
- As obras divergem sobre o futuro: Bartov vê a necessidade de um acordo facilitado por Israel, enquanto os autores defendem uma solução em etapas, possivelmente com confederação, mas reconhecem dificuldades políticas, religiosas e territoriais.
Dois livros recentes buscam explicar o conflito israelense-palestino, sem oferecer respostas claras sobre como encerrá-lo. O tema ganhou novo fôlego após o ataque de Hamas em 7 de outubro de 2023 e a subsequente invasão de Gaza.
Omer Bartov, historiador na Brown University, analisa mudanças em Israel após o ataque e aponta dois problemas centrais: a forma como o Holocausto molda a percepção de ameaça e a ausência de uma constituição liberal sólida. Ele acusa a utilização da memória histórica para justificar a violência.
Ao mesmo tempo, Aziz Abu Sarah e Maoz Inon defendem uma reaproximação e a retomada do processo de paz em The Future Is Peace. O livro acompanha uma jornada de oito dias entre Israel e a Cisjordânia, buscando empatia entre comunidades e o reconhecimento de narrativas opostas.
O que mudou em Israel
Bartov sustenta que o trauma de 7 de outubro alimentou um “síndrome celular” que reforça o endurecimento da política de ocupação. Segundo ele, o país funciona sob uma lógica de defesa que justifica ações militares como necessárias à sobrevivência.
O autor também critica a ausência de um marco constitucional liberal, o que, em sua visão, dificulta a garantia de direitos iguais para a minoria árabe. Em vez disso, Israel depende de leis básicas que não substituem uma constituição plena.
Propostas para a paz
Abu Sarah e Inon descrevem a esperança de que a empatia entre lados distintos possa abrir espaço para acordos futuros. O livro enfatiza a necessidade de entender as dores de cada lado sem insistir em um único espelho de solução.
Os autores não descartam dificuldades, incluindo perguntas sobre fronteiras e o direito de retorno palestino. Eles defendem que a mudança depende de apoio popular amplo, não apenas de diplomatas ou mapas.
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