- Nikol Pashinián, opositor encarcelado que liderou mudanças em Armenia, conseguiu novo mandato de cinco anos com Contrato Civil recebendo 49,81% dos votos.
- O líder oposicionista enfrenta uma Armenia mais dividida do que em 2018, com apoio menor na capital, mas sólida base em zonas rurais.
- A estratégia pós‑derrota na guerra de 2020 mudou: prioridade à paz com Azerbaijão e normalização gradual das relações diplomáticas, além de aproximação com União Europeia e Estados Unidos.
- O avanço econômico incluiu crescimento do PIB e interesse de empresas internacionais, como Nvidia, além de implantação gradual de um sistema de seguro saúde universal até 2029.
- A eleição, marcada por polarização e críticas à atuação de Pashinián, destacou tensões com a Igreja Apostólica Armenia e a percepção de que o governo ganhou centralidade institucional, sem ampliar claramente reformas constitucionais.
Nikol Pashinián, líder opositor que chegou a ser preso, foi reeleito presidente do Conselho de Arara quando Armena definiu seu rumo europeu. O primeiro ministro venceu as eleições com 49,81% dos votos, mantendo Contrato Civil como a força dominante, mas sem maioria qualificada.
A vitória ocorre oito anos após a Revolução de 2018, marcada por reformas, confrontos com a Rússia e mudanças institucionais. O resultado reflete uma Armênia mais dividida, com apoio sólido no interior, mas menor na capital. Pashinián continua como figura central da política.
A trajetória do líder começou em Ijeván, perto da fronteira com a Azeri, e só ganhou contornos políticos com a fundação do Contrato Civil, que migraria para a liderança nacional após a cena de 2018. Ele se tornou símbolo de uma geração que buscava renovação política.
Mudança de estratégia
Após a derrota na guerra de Nagorno-Karabakh em 2020, Pashinián passou a priorizar um acordo de paz com Azeri e a normalização das relações diplomáticas. A postura abriu espaço para reconhecimento internacional, ao mesmo tempo em que gerou críticas internas.
O governo Armeniano passou a buscar alianças com a União Europeia, França e Estados Unidos, enquanto a confiança na Rússia se degradava. O governo também sinalizou uma diversificação de parcerias, mantendo a dependência estratégica de Moscou em áreas como energia.
Na economia, o país registrou crescimento com a chegada de profissionais e empresas após a crise de 2022, impulsionando tecnologia e serviços. Empresas internacionais passaram a observar a Armênia, com o governo promovendo a Armênia como polo tecnológico regional.
Reformas e tensões internas
Entre as reformas, destaca-se a implantação gradual de um sistema de saúde universal, com meta de cobertura total até 2029. A medida visa ampliar o acesso a serviços médicos, com impacto direto na população de menor renda.
No campo institucional, a relação com a Igreja Apostólica Armena apresentou tensões a partir de 2025, com críticas públicas de ambos os lados. Em paralelo, Pashinián adotou um estilo cada vez mais presidencialista, conforme relatos de opositores.
Durante as eleições recentes, episódios de repressão a críticas acentuaram o debate sobre liberdades civis. O ativista Artur Ospirián foi detido após críticas públicas, gerando posicionamentos de organizações de direitos humanos sobre motivação política.
Panorama atual
Os armenios reafirmaram o apoio ao Contrato Civil, embora o percentual tenha ficado abaixo de eleições anteriores. A oposição manteve uma posição expressiva, representando um bloco significativo de críticas ao governo.
Numa visão de longo prazo, Pashinián aparece como a figura que mais moldou a política armenia na última década, entre mudanças sociais, geopolíticas e o debate sobre o equilíbrio entre Ocidente e Rússia. A próxima etapa envolve a consolidação das reformas e o andamento do processo de integração europeia.
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