- Cerca de 450 famílias na República Dominicana pedem relocação da mina de ouro Pueblo Viejo due a preocupações com poluição, alegando impactos na saúde e no meio ambiente.
- A mina é controlada pela Barrick Mining Corp. (dupla parceria com a Newmont Corp.; 60%/40%), e há temor de falha no rejeito próximo a cerca de um quilômetro.
- O Escritório do Ombudsperson for Responsible Enterprise (CORE) no Canadá, criado para lidarem com queixas de comunidades, está vago desde maio de 2025, deixando processos em andamento sem decisão.
- Segundo a CORE, há 24 casos ativos; porém, não há divulgação de números detalhados desde março de 2024. Profissionais e organizações recentes dizem que o mecanismo está à deriva.
- Organizações que monitoram minas no Canadá afirmam que a falta de poderes independentes da CORE dificulta responsabilizar empresas canadenses no exterior; defensores pedem nomeação urgente de um ombudsperson com poder investigativo.
Leoncia Ramos, moradora de La Piñita, na República Dominicana, afirma temer pela saúde e pretende deixar o município. Ela integra cerca de 450 famílias que solicitam realocação da comunidade devido a supostos impactos da mineração de Pueblo Viejo, operada por Barrick Mining Corp. e Newmont Corp.
As famílias alegam que a mineração afeta a saúde e o meio ambiente. Um novo desastre poderia ocorrer caso uma barragem de rejeitos localizada a cerca de um quilômetro se rompe, segundo relatos da comunidade. A disputa envolve governo local e a empresa.
A oitiva de queixas está sob a responsabilidade do escritório do Ombudsperson for Responsible Enterprise (CORE) no Canadá, criado em 2019 para tratar denúncias ligadas a empresas canadenses no exterior. O cargo permanece vago desde maio de 2025, o que tem deixado as decisões em suspense.
OCORE afirma continuar recebendo queixas, mas não detalha números desde a vacância. A organização Mining Watch Canada aponta que a falta de liderança freia investigações e decisões, gerando desconfiança entre comunidades afetadas por operações canadenses ao redor do mundo.
Barrick reconhece que a área próxima ao Pueblo Viejo está em posição de drenagem de água, negando riscos de contaminação e enfatizando que o empreendimento é de descarga zero, com melhorias em serviços e acesso à água potável segundo a empresa.
Canais de recurso alternativos, como o National Contact Point (NCP) da OCDE, também são citados como limitados por críticos, que defendem maior independência e poderes investigativos. A ausência de um ombudsperson eficaz acirra o custo social das disputas.
Pacotes de dados da CORE mostram histórico de apenas algumas investigações concluídas desde 2019, com poucos desfechos publicados. Além disso, relatos de atraso no atendimento de denúncias internacionais alimentam críticas sobre a eficiência do mecanismo.
A comunidade de Las Lagunas, La Cerca e La Piñita aponta ainda dificuldades em ter acesso a dados independentes sobre qualidade da água. Barrick afirma que amostras são analisadas por terceiros e comunicadas ao Ministério do Meio Ambiente da República Dominicana.
Especialistas destacam que o acesso à justiça pode ficar comprometido sem mecanismos eficazes. Jurisdição e custos judiciais costumam dificultar ações contra operações no exterior, ampliando a dependência de mecanismos não judiciários.
Organizações da sociedade civil e especialistas destacam a necessidade de fortalecer o CORE, com poderes para convocar testemunhas e exigir documentos, garantindo maior independência e efetividade na apuração de denúncias contra mineradoras canadenses.
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