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Ebola: veto a viajantes da RDC, Uganda e Sudão do Sul não é solução

Banimento de viajantes da DRC, Uganda ou Sudão do Sul não basta; África CDC alerta que restrições podem ampliar riscos de saúde e expor injustiças globais

Red Cross workers gather to disinfect Rwampara general hospital before handling the body of a person who died of the Bundibugyo strain of Ebola, in Rwampara outside Bunia, Ituri province, DRC.
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  • O governo dos EUA proibiu viagem de pessoas que passaram pelos países Congo, Uganda ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias, em resposta ao surto de ebola.
  • O surto foi declarado emergência de saúde pública de interesse internacional no fim de semana e segue em expansão, com novo caso em South Kivu, na RDC.
  • África CDC afirma que restrições de viagem gerais não são a solução e podem aumentar riscos à saúde, além de prejudicar operações humanitárias.
  • A organização aponta uma injustiça estrutural na inovação em saúde, já que a variante Bundibugyo foi identificada há quase duas décadas e quase não há vacinas ou tratamentos licenciados específicos.
  • Em Goma, aeroporto tem sido tema de cobrança para reabertura que facilite assistência médica, enquanto a agência da OMS registra cerca de 139 mortes e aproximadamente 600 casos suspeitos até quarta-feira, com dois casos confirmados no Uganda.

O governo dos EUA impôs um veto de viagens a pessoas vindas da República Democrática do Congo, Uganda ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias, como resposta ao surto de Ebola. A medida visa viajantes sem passaporte americano e já provocou interrupções em eventos esportivos e voos.

A África CDC afirmou que restrições generalizadas e fechamentos de fronteiras não são a solução para surtos. A entidade disse que tais medidas podem gerar medo, prejudicar economias e dificultar operações humanitárias e de saúde.

O surto foi declarado como emergência de saúde pública de interesse internacional no fim de semana e continua a se expandir. Um novo caso foi confirmado na província de Sud-Kivu, no leste da RDC, área sob controle de grupos rebeles.

Na RDC, a maioria dos casos ocorreu nas províncias de Ituri e North Kivu. Na sexta-feira, a cidade de Goma, capital de North Kivu, também registrou um caso, levando a pedidos para reabrir o aeroporto para facilitar ajuda humanitária.

A OMS informou até quarta-feira 139 mortes e cerca de 600 casos suspeitos na RDC, além de dois casos confirmados no Uganda vizinho. Em Sud-Kivu, o caso recente amplia a área de atuação do surto.

A medida dos EUA também gerou impactos práticos, como a desvio de voos e a preparação da seleção masculina de futebol da RDC para a Copa do Mundo ser afetada por restrições de viagem. Autoridades locais dizem ter capacidade para lidar com o surto.

Especialistas destacam que não há vacina ou tratamento específico para a cepa Bundibugyo de Ebola, utilizadas na atual transmissão. A África CDC reforça a necessidade de cooperação internacional e investimento na detecção e controle na origem.

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