- O governo alemão vive a maior crise nas relações bilaterais com os Estados Unidos em vinte anos, impulsionada pela guerra contra o Irã e pelos atritos com o presidente Donald Trump.
- O chanceler Friedrich Merz buscou manter a paciência e evitar conflitos públicos durante três visitas a Washington, para preservar a OTAN e o apoio à Ucrânia, apesar de críticas de Trump.
- Merz afirmou que os Estados Unidos estão “humilhados por o Irã” em conversa recente, o que provocou furor em Washington e levou o anúncio da retirada de cinco mil soldados da base alemã.
- A relação ficou ainda mais tensa com divergências sobre a estratégia de segurança, comércio e a criticada postura de Trump, que já teve aliados europeus considerados próximos, como Merz, perdendo esse alinhamento.
- Especialistas destacam que as mudanças de posição de Washington refletem uma reorientação estratégica dos Estados Unidos, tornando as relações transatlânticas mais desafiadoras para temas como Ucrânia e comércio.
O chanceler alemão Friedrich Merz intensificou, em 2025-2026, a distância com o governo dos EUA de Donald Trump, após percorrer três visitas oficiais a Washington com o objetivo de preservar a OTAN e o apoio a Ucrânia frente à Rússia. A relação se choca com a escalada de tarifas americanas e uma guerra contra o Irã, que expõem divergências estratégicas.
O atrito ganhou contornos públicos quando Merz afirmou, durante evento com estudantes na Alemanha, que os Estados Unidos estavam sendo humilhados pelo Irã. A declaração provocou reação firme de Trump, que chamou o chanceler de ignorante e associou o enfraquecimento alemão a questões econômicas.
Horas depois, a Casa Branca anunciou a retirada de 5 mil soldados da Alemanha, aumentando a tensão bilateral. Merz, que buscava manter o consenso transatlântico, passou a enfrentar críticas internas sobre a condução da política externa e a comunicação com aliados europeus.
Antes, Merz tentara evitar confrontos diretos com Trump durante encontros em Washington, buscando manter o foco na coesão da OTAN e no apoio a Kiev. A estratégia era manter o alinhamento, mesmo diante de tarifas comerciais e de pressões sobre a União Europeia.
O desgaste nas relações se acentuou após a retirada de tropas e as críticas públicas de Merz ao modo de condução da política externa de Washington. Analistas destacam que o episódio representa a maior crise na relação entre Alemanha e EUA em duas décadas.
Especialistas afirmam que a mudança de postura de Merz reflete uma reavaliação estratégica diante de uma América mais imprevisível. O chanceler busca equilibrar a defesa de interesses alemães com a necessidade de uma parceria estável com os EUA.
No âmbito interno, Merkel sugeriu tranquilidade e apontou para a busca de pontos em comum, ressaltando a importância de manter a cooperação internacional sem exageros. A percepção é de que as relações transatlânticas permanecem relevantes, ainda que sob tensão.
Entre aliados europeus, a discussão sobre independência estratégica ganha força, em meio a dúvidas sobre o compromisso dos EUA com a Europa. Especialistas lembram que a manutenção da OTAN depende da capacidade de os Estados Europeus manterem políticas de defesa autônomas.
Responsáveis por missões externas destacam que o tom das falas de Merz deve ser avaliado com base no conteúdo concreto das mensagens, não apenas na forma. A expectativa é de que o relacionamento evolua com novos gestos diplomáticos e diálogos contínuos entre Berlim e Washington.
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