- O jornalista Mohamed Bulbul, acompanhado por Abdihafid Nor Barre e Abdishakur Mohamed Mohamud, foi detido em Mogadíscio enquanto jantava e agredido com pistolas pela polícia de contra-terrorismo dos Estados Unidos treinada na região.
- Eles foram levados para interrogatório e liberados na madrugada de sábado.
- A detenção ocorre após Bulbul reportar, para o Guardian, o caso de Sadia Moalim Ali, jovem de 27 anos presa por protesto pacífico e ativismo online, que disse ter sido torturada na prisão central.
- Autoridades e oposicionistas classificaram as prisões como ilegais e politicamente motivadas, em meio a uma repressão acentuada conforme o mandato do governo se aproxima do fim.
- A repressão aos jornalistas ocorre durante uma onda de ameaças a veículos independentes e diante de protestos planejados para o fim de semana; a Somalia figura entre os países com maior risco para a imprensa, segundo o índice da RSF.
Mohamed Bulbul, correspondente do Guardian, foi detido em Mogadíscio na sexta-feira à noite, junto de Abdihafid Nor Barre e Abdishakur Mohamed Mohamud, enquanto estavam em um restaurante no centro da capital. Eles foram agredidos com pistolas por membros da unidade de polícia anticterrorismo, e levados para interrogatório. Todas as denúncias indicam que foram liberados na madrugada de sábado.
A detenção ocorre no contexto de reportagens sobre casos de violação de direitos humanos. Bulbul havia publicado uma matéria sobre Sadia Moalim Ali, uma motorista de riks rickshaw de 27 anos, que reclama torturas no presídio central de Mogadíscio. Ali também tem falado sobre violações de forças de segurança e despejos forçados na cidade.
A prisão ganhou contornos políticos em meio a tensões que antecedem protestos previstos para o fim de semana. Parlamentares e organizações de imprensa apontam uso inadequado de poder e alegam motivação política para a repressão a jornalistas.
Detenção e contexto
A polícia de Mogadíscio, supostamente ligada a uma unidade treinada pelos EUA, teria ameaçado os jornalistas caso continuassem a cobrir protestos e o caso Ali. O chefe da polícia, Mahdi Omar Mumin, foi citado por fontes locais como pressionando para que não houvesse novas publicações.
O Sindicato Somali de Jornalistas afirmou que a detenção é parte de uma onda de intimidação. A organização também mencionou que, em maio, vários profissionais foram presos e seus equipamentos apreendidos, ampliando o clima de insegurança para a imprensa.
Reações e desdobramentos
A administração somali tem sido alvo de críticas por parte de oposição e de organizações de direitos humanos. O caso de Bulbul e seus colegas ocorreu depois de ataques a veículos de mídia, e antes de novas mobilizações públicas. A cobertura independente é vista como essencial pelas entidades de imprensa locais.
A redação do Somali Stream, que emprega Mohamud, condenou as detenções como ataque ilegal à imprensa independente. Fontes ligadas ao setor ressaltam que o ambiente de trabalho para jornalistas permanece altamente vulnerável no país.
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