- Nicolas Sarkozy reiterou a inocência no processo de apelação sobre a suposta financiamento libio de sua campanha de 2007, e o interrogatório inicial terá duração de três dias.
- Ele já havia sido condenado, em primeira instância, a cinco anos de prisão e ficou três semanas na prisão, antes de conseguir liberdade provisória, e busca absolvição total.
- Pela primeira vez presente no tribunal, Carla Bruni acompanhou o ex-presidente durante a sessão.
- A acusação sustenta que Sarkozy operou por meio de colaboradores para conseguir apoio do regime de Muamar el Gadafi; fundos libios teriam chegado a França, mas não foi provado que fossem destinados à campanha.
- O caso envolve onze réus, entre eles três ex-ministros, além de Ziad Takieddine, intermediário com Libia, que morreu em setembro passado.
Nicolas Sarkozy voltou a negar ser culpado no processo de apelação sobre a suposta financiamento libio de sua campanha de 2007. O ex-presidente francês, condenado em primeira instância a cinco anos de prisão por associação ilícita, iniciou nesta terça-feira seu interrogatório, que pode durar três dias.
O depoimento, realizado no Tribunal de Apelação de Paris, é visto como decisivo para a possibilidade de absolvição total. Sarkozy, de 71 anos, já recorreu da sentença e, neste primeiro dia, insistiu que não houve recebimento de recursos do regime de Muamar al Gadafi.
Acompanhado pela esposa Carla Bruni pela primeira vez na sala, Sarkozy manteve tom firme e afirmou que não houve pagamento algum relacionado à campanha. Ele também destacou que a gravidade do caso foi paga e pediu que o tribunal trate o tema com seriedade.
Detalhes do caso e envolvidos
A corte havia comprovado que, entre 2005 e 2007, colaboradores próximos de Sarkozy teriam buscado apoio libio para financiar a candidatura ao Eliseu, em troca de favores políticos. O tribunal concluiu que os recursos chegaram à França, mas não comprovou a destinação à campanha.
Além de Sarkozy, estão no centro do processo 11 réus, incluindo três ex-ministros: Éric Woerth, Brice Hortefeux e Claude Guéant. Ziad Takieddine, empresário franco-libanês visto como intermediário, figura entre os principais acusados; ele faleceu em setembro passado.
A defesa sustenta que os fatos ocorreram no âmbito de atividades políticas e que não há prova de ligação direta com a campanha presidencial. O tribunal de primeira instância apontou que Sarkozy atuou por meio de assessores próximos, autorizados a agir em seu nome.
Contexto e desdobramentos
A investigação já dura uma década e, para Sarkozy, este é o maior processo envolvendo ligações com um regime estrangeiro. Em outros casos, ele já foi condenado por corrupção, mas com penas menores, e cumpriu parte de uma sentença com uso de monitoramento eletrônico.
O ex-presidente também enfrenta outros litígios, mas o caso envolvendo a Libia é visto como o mais relevante pela possível comparação entre financiamento e influência política. Sarkozy já afirmou que a verdade deve prevalecer, para esclarecer as vítimas do atentado associado ao regime de Gadafi.
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