- O Reform UK afirmou que deixaria de emitir vistos a pessoas de países que exijam reparações pela escravidão transatlântica.
- O porta-voz de assuntos internos, Zia Yusuf, disse ao Daily Telegraph que a cobrança por reparações é “insultante” e que teriam sido emitidos 3,8 milhões de vistos a pessoas desses países nos últimos vinte anos.
- A ONU descreveu, no mês passado, o tráfico de escravos transatlântico como o “crime mais grave contra a humanidade” e pediu reparações como medida reparadora.
- A votação contou com apoio da União Africana e Caricom; Reino Unido e União Europeia abstiveram-se, e os Estados Unidos votaram contra; a resolução não é juridicamente vinculante.
- O Reform UK já defendia cortar ajuda internacional para países que demandam reparações; em 2023, um relatório estimou que o Reino Unido deveria pagar about $24 trilhões em reparações.
Reform UK propõe interromper a emissão de vistos a pessoas de países que cobram reparações pela escravatura. A ideia foi apresentada como resposta a pressões sobre o Reino Unido, que teriam crescido nos últimos anos.
Zia Yusuf, porta-voz de assuntos internos do partido, disse ao Daily Telegraph que o pleito por reparações é “insultante” e afeta a imagem do país. Segundo ele, 3,8 milhões de vistos foram emitidos a cidadãos de nações que pleiteiam reparações nas últimas duas décadas.
Para o partido, a cobrança de reparações seria usada como arma contra o Tesouro britânico. Yusuf afirmou que “o banco está fechado e a porta está trancada” para quem usa a história como pretexto para vazar recursos públicos.
Contexto internacional
Historiadores ligam a riqueza ocidental à escravização e à industrialização. Em março, a ONU descreveu o tráfico transatlântico como crime gravíssimo contra a humanidade e apoiou reparações como passo reparatório.
A resolução, que não tem caráter vinculante, contou com apoio da União Africana e da Caricom. Ghana, representado por John Dramani Mahama, defendeu que a memória de milhões não deve ser esquecida.
O Reino Unido e a União Europeia abstiveram-se, enquanto os EUA votaram contra. A proposta destaca o debate global sobre responsabilidade histórica e restituição de danos.
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