- Um trabalhador da contratante de defesa americana V2X foi morto em ataque de drone à base aérea de Erbil, em 24 de março; cinco trabalhadores ficaram feridos.
- Os feridos são de Kenya e India; cerca de 45 trabalhadores da V2X permanecem na base, com um em estado crítico por queimaduras.
- Trabalhadores afirmam que a empresa pressiona para ficar no local, sob o argumento de não atrapalhar a missão, e que evacuação pode custar contratos.
- Outras empresas, como Lockheed Martin e Amentum, teriam evacuado seus funcionários; gerentes da V2X deixaram Erbil após o ataque.
- Há relatos de ambiente de medo, falta de plano de evacuação e hotel sem controle de acesso; autoridades americanas alertaram sobre riscos na região.
Oito agentes de uma empresa de defesa dos EUA sofreram um revés no Iraque: um trabalhador da V2X morreu em um ataque com drone à base aérea de Erbil, na noite de 24 de março. Outros quatro ficaram feridos, entre eles dois indígenas do Quênia e da Índia, segundo relatos de cinco fontes próximas ao caso. A ala oeste da base abrigava esses funcionários, que permanecem no local pese aos riscos.
A V2X emprega cerca de 300 pessoas em Erbil, principalmente americanas, indianas e quenianas. Trabalhadores afirmam que a empresa mantém a maioria dos funcionários na base, mesmo diante de ações de hostilidade e sem planos claros de evacuação. Outras contratadas americanas, como Lockheed Martin e Amentum, teriam evacuado parte de seus quadros semanas antes, conforme relatos.
Testemunhas reunidas dizem que a liderança da V2X tem reagido com resistência a perguntas sobre segurança e evacuação. Em hotéis da cidade, onde muitos estão hospedados, há relatos de hostilidade de gerência e sensação de insegurança entre os trabalhadores, que temem retaliação caso falem sobre as condições de trabalho.
A empresa afirma que a situação de segurança não exige evacuação ampla, porém não detalha planos. Caso alguém deseje deixar o país, a saída seria tratada como evacuação voluntária e pode implicar em rescisão de contrato, segundo relatos de dois funcionários. Um gerente sênior teria dito que a empresa não se responsabilizaria legalmente pela saída.
Entre as queixas, destaca-se a vulnerabilidade no hotel onde a maior parte dos empregados está hospedada. Funcionários mencionam ausência de controle de acesso e circulação de pessoas ao redor do prédio, aumentando a percepção de risco, especialmente diante de ataques recentes na região.
A base de Erbil abriga operações ligadas a contratos LOGCAP, com foco em apoio logístico e segurança. O acordo, da ordem de 252 milhões de dólares, envolve a participação de várias firmas que atuam na área de defesa no Iraque. Trabalhadores questionam por que outras empresas teriam evacuado e a V2X manteria a sua equipe para não comprometer o acordo.
Relatos indicam que, após o ataque mortal, a gerência da empresa decidiu manter o restante do grupo em Erbil, enquanto alguns líderes de alto escalão já haviam deixado a base no dia do ataque, 24 de março. A saída de executivos elevou a tensão entre equipes, segundo fontes.
A região tem visto anúncios de alerta de segurança por parte das embaixadas dos EUA, que recomendam cautela para cidadãos e empresas diante do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã. Em 2 de abril, a Embaixada de Bagdá alertou sobre possíveis ataques de milícias iraquianas nas próximas 48 horas.
Em Balad/ Martyr Brigadier General Ali Flaih, antiga Balad Air Base, trabalhadores da V2X relataram um cenário semelhante: sem evacuação obrigatória, com avisos de drones e ataques recorrentes, e com a obrigação de usar equipamentos de proteção. A evacuação de não essenciais, priorizada pela empresa no início de março, foi abortada após pressões do governo iraquiano, que ameaçou cancelar contratos caso a saída ocorresse.
Até o fechamento desta reportagem, a V2X não havia respondido aos pedidos de comentário. As autoridades e organizações locais avaliam impactos de longo prazo sobre a segurança de trabalhadores estrangeiros, bem como o reflexo no cumprimento de contratos de defesa no país.
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