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Rússia discute o Rio da Consciência em estudo científico

Jornalista disfarçado percorre o Volga para revelar a vida sob Putin: tradição, privatizações e os custos da guerra que moldam a nação em choque

A man looks out over the Volga River during a storm in Nizhny Novgorod, Russia.
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  • O jornalista Marzio Mian viajou pela Volga em 2023, sob sigilo, para observar a vida na Rússia durante a repressão e a guerra na Ucrânia, entrevistando moradores e registrando suas perspectivas.
  • O líder da Igreja Ortodoxa russa, o patriarca Kirill, celebrou a fonte do Volga, descrevendo-a como a força vital da nação e a autobiografia do povo.
  • No caminho, o livro mostra um sovkhoz privatizado de Kazankov, com estética soviética, mas gerido como empresa privada; os lucros são revertidos para os trabalhadores.
  • A narrativa revela uma Rússia mais caótica e diversa do que a retratada em gabinetes oficiais, com nostalgia de símbolos do czarismo e do stalinismo convivendo com o presente, enquanto pesquisas de opinião indicam apoio contínuo à guerra.
  • Um episódio marcante é a história da família de Pavel, motorista romani morto no Donbass; a viúva Valentina questiona os motivos dele, destacando o custo humano do conflito.

Patriarch Kirill, líder da Igreja Ortodoxa Russa, viajou em junho de 2017 a um mosteiro remoto nas Colinas de Valdai, a cerca de 350 km de Moscou. Aquele deslocamento visou consagrar a nascente do Volga, em meio a rituais com incenso e uma cruz de ouro, diante de um cenário de solenidade.

O Volga, embora não seja o mais longo da Rússia, é apresentado como a “linha vital” do país. Mian descreve que, para muitos russos, o rio simboliza a identidade e a destino da nação, servindo como fio condutor de uma narrativa histórica que cruza Tsarismo, Stalinismo e uma visão de modernidade.

O jornalista italiano Marzio Mian percorreu o trajeto completo de 2 mil milhas do Volga em 2023, com apoio limitado de estrangeiros. Apresentou-se como historiador, acompanhado por uma equipe de apoio, para obter retratos diretos da vida sob o governo de Putin e da guerra na Ucrânia.

A obra destaca o encontro com o empresário Ivan Kazankov, dono de um grande sovkhoz. A fazenda, que se descreve como uma empresa “Communist-Stalinist”, mistura símbolos do passado com práticas privadas, funcionando como uma megafábrica familiar em 1995, durante a transição econômica.

Kazankov explica que o modelo privado de sovkhoz mantém salários estáveis e uma estrutura social de cafeteria à parte. A narrativa revela a presença de ícones históricos e a mistura de ortodoxia, nacionalismo e memória de um regime que persiste na imaginação de parte da população.

Ao longo do percurso, Mian encontra comunidades que rejeitam a imprensa estrangeira e, em alguns casos, defendem a visão de uma Rússia espiritual e tradicional. Em uma ilha do Volga, moradores buscam um refúgio onde o debate sobre a guerra fica proibido por regras locais.

Nessa moldura, o livro também mostra uma Rússia que encara a guerra contra a Ucrânia de forma dolorosa. Estima-se que, no período relatado, o país tenha registrado dezenas de milhares de baixas, com apoio público estável entre mais de 70% em momentos de 2023, segundo pesquisas citadas no texto.

Entre os episódios marcantes, está o relato de uma família cigana ligada a um motorista de táxi falecido em combate. A viúva Valentina relembra as escolhas do marido, que ingressou no conflito com pouco treinamento, movido por dívidas e ideais que, segundo ela, não se confirmaram.

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