- Ibrahim Traoré, presidente de Burkina Faso desde o golpe de 2022, afirmou à emissora estatal que a democracia “não é para nós” e que não haverá eleições no momento.
- Em entrevista à Radiodiffusion Télévision du Burkina, ele disse que o país precisa esquecer a democracia e que é hora de contar a verdade.
- Traoré já estendeu seu mandato até 2029, após ter tomado o poder e banido partidos políticos em janeiro.
- A Human Rights Watch (HRW) informou que, desde 2023, mais de 1.800 civis foram mortos por militares, milícias ligadas e pelo Jama’at Nusrat al‑Islam wa al‑Muslimin (JNIM), em ataques que teriam caracterizado crimes contra a humanidade e limpeza étnica.
- A insurgência jihadista continua no país, com cerca de 2,1 milhões de deslocados estimados há três anos; em abril de 2024 a HRW também acusou execuções de civis, alegação negada pelo governo.
Burkina Faso vive um momento de tensão política após o militar Ibrahim Traoré afirmar em transmissão estatal que o país deve abandonar a democracia, alegando que ela não é para o povo burquinense. A declaração foi dada durante entrevista à Radiodiffusion Télévision du Burkina (RTB) nesta semana.
Traoré, que chegou ao poder em 2022 após um golpe, já consolidou o controle ao longo de 2023 e 2024, com o banimento formal de partidos políticos divulgado em janeiro. O governante afirma que não haverá eleições enquanto perdurar a crise de segurança no país.
Segundo Traoré, a prioridade é manter a ordem e enfrentar os desafios internos, sem prometer calendário democrático. Ele descreveu a democracia como falsa e citou impactos sobre a população em um tom crítico durante a entrevista à RTB.
Relatório de HRW sobre crimes
A organização Human Rights Watch divulgou, nesta semana, um relatório apontando que civis foram mortos por militares, milícias aliadas e grupos extremistas desde 2023. O documento cita crimes contra a humanidade e acusa todos os lados do conflito de violar leis internacionais.
De acordo com o relatório, houve deslocamentos forçados de milhares de pessoas e ataques contra comunidades civis. A HRW destaca execuções em abril de 2024 e acusações de limpeza étnica contra civis Fulani, atribuídas a forças ligadas ao regime.
A resposta do governo a essas acusações incluiu a negação de alguns registros e a proibição de organizações internacionais e veículos de comunicação que divulgaram as informações. O país segue enfrentando uma insurgência jihadista que já deixou milhares de mortos e milhões de deslocados desde 2014.
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