- Um movimento separatista de Alberta (APP) já reuniu 177.732 assinaturas para iniciar um referendo sobre a soberania, com entrega prevista a Elections Alberta até 2 de maio.
- Há reuniões secretas com representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos e apoio público de figuras do movimento MAGA, além de discussões sobre possível apoio dos EUA à Alberta se a secessão prosperar.
- O grupo aborda questões logísticas como uso do dólar americano, segurança de fronteira e um empréstimo de 500.000 milhões de dólares para financiar a transição para um Estado soberano.
- As autoridades dos Estados Unidos afirmam ter minimizado as reuniões, sem altos cargos envolvidos ou compromissos assumidos, mas especialistas veem sinal de intervenção estrangeira.
- Analistas e acadêmicos comparam a atuação ao uso de movimentos separatistas por potências externas, destacando o contexto provocado pela pandemia, tensões entre Alberta e o governo federal e o apoio de vozes conservadoras.
O movimento separatista da província canadense de Alberta ganhou atenção ao seu suposto alinhamento com elementos ligados a Donald Trump. Uma associação que promovia um referendo independencista já recolhe assinaturas, em um cenário onde Alberta é visto como bastião conservador no Canadá, governado pelos liberais em Ottawa. A iniciativa ocorre num momento de tensão entre políticas energéticas e ambientais federais e a percepção de afronta à autonomia provincial.
Relatos indicam viagens de líderes do Alberta Prosperity Project (APP) a Washington em 2025 para tratar da possível soberania da região. O cofundador da APP, Jeffrey Rath, afirmou ter mantido encontros com representantes do Departamento de Estado para discutir apoio dos EUA caso a independência prospere, incluindo questões logísticas como uso de dólar, segurança fronteiriça e até um hipotético empréstimo para financiar a transição. A divulgação dessa prática ocorreu mesmo após alegações de que as reuniões ocorreram em salas seguras sem dispositivos eletrônicos.
A Casa Branca e o Departamento de Estado negaram que altos cargos tenham se envolvido diretamente ou que tenham sido firmados compromissos. Ainda assim, especialistas ouvidos descrevem o episódio como alerta sobre possível injerência estrangeira. Entre as vozes que comentam o tema, há quem compare o movimento a táticas de alianças estratégicas observadas em outras geopolíticas, destacando a sensibilidade de um processo de separação dentro de uma federação vizinha.
Ao longo de 2025, figuras associadas ao entorno de Trump passaram a mencionar Alberta de modo favorável, entendendo a província como “parceira natural” com recursos consideráveis. Analistas políticos destacam que o tema ganhou espaço midiático no ecossistema MAGA, com relatos de apoio nas redes sociais a proponentes da independência albertana. Especialistas acadêmicos chamam atenção para semelhanças históricas de uso de movimentos marginais para legitimação de objetivos maiores.
A origem do separatismo albertano remonta a movimentos de décadas passadas, mas ganhou novo impulso durante a pandemia, com críticas ao governo federal por medidas restritivas. O APP se descreve como organização educativa buscando mobilizar a população para um referendo, sem filiação formal a partidos. Agricultores e empresários locais mencionam sentir-se menos representados pelo governo federal, acrescentando que a pressão pode ter contribuído para o ressurgimento do tema.
Em fevereiro de 2025, após a vitória dos liberais de Mark Carney nas eleições federais, o APP apresentou pedido para iniciar consulta sobre soberania de Alberta. A organização Stay Free Alberta afirma já ter reunido 177.732 assinaturas suficientes para ativar o processo, com a entrega prevista a Elections Alberta até 2 de maio para verificação. Autoridades canadenses e observadores parlamentares pedem cautela diante de sinais de possível interferência externa e desinformação.
Origens, apoio e cenário regional
Ligações entre Alberta e a candidatura a um eventual estado-aliança com os EUA ganharam contornos de debate político e diplomático. O episódio reacende perguntas sobre a relação entre províncias saudáveis economicamente e o equilíbrio entre soberania provincial e integridade nacional. Em Ottawa, analistas ressaltam a necessidade de monitorar qualquer desinformação ou apoio financeiro externo que possa influenciar o processo.
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