- O jornalista Andréi Soldátov foi condenado a quatro anos de prisão na Rússia e teve a proibição de gerir a web de sua plataforma de pesquisa; Irina Borogán também vive no exílio.
- Eles afirmam que os serviços de inteligência russos encaram uma guerra eterna contra o Ocidente, contexto destacado em entrevista por videoconferência.
- Soldátov e Borogán são fundadores do portal Agentura, que revelou em 2012 a videovigilância de Putin e, em 2024, purgas no FSB e em outros órgãos de espionagem.
- A dupla aponta que, segundo a lógica russa, a missão das agências é proteger o regime político, com o uso de meios como o Telegram para operações de espionagem.
- Mesmo com a guerra na Ucrânia, dizem que Putin não abandonará a pressão sobre a Europa; o FSB hoje utiliza a internet como arma e há maior centralização entre as agencias.
Andréi Soldátov e Irina Borogán, jornalistas russos, foram condenados a quatro anos de prisão cada um, sob acusação de atuar como agentes estrangeiros. A decisão ocorreu após entrevista publicada na imprensa internacional, no contexto de repressão a investigadores independentes na Rússia.
Os jornalistas vivem no exílio há anos e mantinham o portal Agentura, que divulga investigações sobre os serviços de segurança russos. Em entrevista por videoconferência, afirmaram que o Kremlin enxerga uma guerra contínua contra o Ocidente e que a imprensa independente é alvo de repressão para silenciar denúncias.
A condenação também envolve a proibição de Soldátov de administrar a web de sua plataforma de pesquisa. Borogán e Soldátov são fundadores do Agentura e relatam, há décadas, dados sobre a atividade do FSB, SVR e GRU, além de discutir impactos da guerra na Ucrânia para o estado russo.
Condenação e reação
A Justiça russa justificou as acusações com base na classificação de ambos como agentes estrangeiros. Soldátov, em linha com a divulgação feita, afirmou que a sentença busca silenciar seu trabalho jornalístico e que continuará atuando independentemente.
Eles destacam que o ambiente de imprensa na Rússia passou por mudanças após o colapso soviético, com maior controle estatal sobre divulgação de informações. A dupla sustenta que a guerra na Ucrânia intensifica a repressão à mídia crítica e a cooptação de plataformas de comunicação.
Soldátov e Borogán também comentaram sobre a relação entre as agências de inteligência russas e a imprensa, incluindo o uso de redes digitais e serviços de mensagens como parte de operações de espionagem, segundo a entrevista veiculada. O foco permanece na proteção do regime político como objetivo central das agências, segundo os próprios jornalistas.
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