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Merz é criticado após pedir que sírios na Alemanha voltem para casa

Merz enfrenta condenação de ONGs e integrantes do governo após defender que cerca de 80% dos sírios em Alemanha retornem aos seus países, gerando debate migratório

Merz, pictured, said he and the interim Syrian president, Ahmed al-Sharaa, will work towards broad-scale returns from Germany.
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  • O chanceler Friedrich Merz disse que, a longo prazo, cerca de 80% dos sírios que vivem na Alemanha deveriam retornar aos seus países, citando o desejo do presidente sírio Ahmed al-Sharaa para um retorno em larga escala nos próximos três anos.
  • Al-Sharaa não confirmou a meta de 80% entre mais de 900 mil sírios registrados na Alemanha até 2029, e a declaração surpreendeu autoridades em Berlim.
  • Críticas externas e internas chegaram: Anke Rehlinger, vice-líder do SPD, afirmou que divulgar números com prazos específicos pode elevar expectativas não atendíveis; partidos conservadores também questionaram a estratégia.
  • Profissionais de saúde destacaram a importância de sírios qualificados, incluindo médicos e cuidadores, para o sistema alemão, e alertaram que a saída desses trabalhadores impactaria o setor.
  • Merz sinalizou, posteriormente, que a cifra de 80% foi citada pelo presidente sírio e disse que a meta foi registrada, mas que o tamanho da tarefa é grande; hoje, mais de 3.700 sírios retornaram voluntariamente desde Alemanha até novembro de 2025.

Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, enfrentou críticas de organizações não governamentais e de integrantes do próprio governo após declarar que a grande maioria dos sírios residentes na Alemanha deveria retornar à sua terra natal. A fala ocorreu durante uma visita a Berlim, na segunda-feira, na presença do presidente interino sírio Ahmed al-Sharaa.

Merz afirmou que, em uma perspectiva de três anos, aproximadamente 80% dos sírios atualmente na Alemanha deveriam voltar para reconstruir a Síria, citando a necessidade de revitalizar o país após o conflito. A declaração surpreendeu autoridades locais, já que a população síria registrada no país supera 900 mil pessoas até 2029, segundo dados oficiais.

Anke Rehlinger, segunda na liderança do SPD, criticou a decisão, sugerindo que o chanceler pode favorecer uma linha anti imigração ao estabelecer metas temporais. Ela ressaltou que muitos sírios já vivem na Alemanha, trabalham, cuidam de idosos, dirigem ônibus e, em muitos casos, adquiriram cidadania alemã.

Roderich Kiesewetter, porta-voz de política externa da CDU, também considerou as metas problemáticas, destacando que promessas não cumpridas podem favorecer o AfD, partido de oposição. Ele lembrou ainda a importância de trabalhadores sírios qualificados para a economia alemã.

O setor de saúde expressou preocupação com o possível retorno de profissionais sírios. A Deutsche Krankenhausgesellschaft apontou que 5.745 médicos sírios atuam em clínicas alemãs, o maior contingente entre profissionais estrangeiros, e cerca de 2.000 atuam como cuidadores. A saída desses trabalhadores pode impactar o sistema.

Franziska Brantner, da oposição Greens, classificou as declarações como arriscadas, citando riscos de segurança e a inviabilidade de retorno para muitos sírios. Luise Amtsberg reforçou a crítica, descrevendo as falas como inadequadas.

Organizações de defesa dos refugiados defenderam uma políticas centrada em direitos humanos. Pro Asyl pediu o fim imediato de deportações para a Síria, enfatizando a proteção de pessoas diante da instabilidade no país.

Merz assumiu o cargo em maio passado, em coalizão com o SPD, prometendo uma posição firme em relação à imigração, diferente da política de portas abertas adotada por Angela Merkel entre 2015 e 2016. Merkel havia permitido a entrada de cerca de 1,3 milhão de refugiados nesses anos.

Apesar das críticas, o chanceler reconheceu, em tom mais contido, que muitos sírios contribuíram para a sociedade alemã. Também afirmou que parte desse contingente busca retornar agora que o regime de Bashar al-Assad se encontra em outra fase.

Dados oficiais indicam que, até novembro de 2025, mais de 3.700 sírios retornaram voluntariamente à Síria a partir da Alemanha. Especialistas ressaltam que deportações forçadas costumam enfrentar entraves legais prolongados.

Posteriormente, Merz recuou parcialmente da meta específica, afirmando que a cifra de 80% foi citada pelo presidente sírio e que a dimensão da tarefa precisa ser considerada. A declaração foi retirada de entrevista publicada porBild.

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