- Mikhail Khodorkovsky afirma que Vladimir Putin pode planejar novo ataque ao estilo Salisbury em solo britânico, a menos que o governo adote medidas mais agressivas contra o Kremlin.
- O objetivo, segundo o exilado, é criar uma sensação de vulnerabilidade no Ocidente, não necessariamente com a morte da vítima.
- Khodorkovsky diz que Putin pode concentrar tropas na fronteira com um país da Otan, como a Estônia, para “mostrar músculo”.
- Ele sugere que a estratégia britânica para evitar incidentes semelhantes deve ser uma resposta firme aos serviços de segurança russos, mantendo o esforço sem escalada para guerra aberta.
- O empresário afirma que sanções contra oligarcas não forçaram Putin a encerrar a guerra na Ucrânia e critica a ideia de que há oligarcas apenas como instrumentos no Kremlin.
Vladimir Putin é visto por Mikhail Khodorkovsky, exilado russo e empresário, como provável de orquestrar novo ataque ao estilo de Salisbury no solo britânico, caso o Reino Unido não adote uma linha mais agressiva contra o Kremlin. Em entrevista ao Guardian, Khodorkovsky afirma ter informações sobre o pensamento atual de Moscou e projeta pressão semelhante à ocorrida em 2018, com uso de agentes nervinos.
O ex-bilionário russo sustenta que o objetivo do Kremlin não seria apenas eliminar adversários, mas criar uma sensação de vulnerabilidade no Ocidente. Ele aponta que a decisão de enviar tropas para fronteiras de países da OTAN, como a Estônia, poderia representar esse “mostrar músculo” e sinalizar que Putin busca manter o controle estratégico diante de fatores externos.
Khordokovsky afirma ainda que o ocidente deveria responder de forma simétrica para impedir novos incidentes. Segundo ele, o governo britânico pode adotar uma postura ofensiva contra serviços de segurança russos, lembrando episódios históricos de dicotomia entre brutalidade e contenção. O exilado diz que os agentes de inteligência são pessoas comuns que não desejam morrer.
Contexto político
O ex-empresário, que foi preso em 2003 e passou dez anos na prisão, está no Reino Unido desde a década passada. Ele descreve Putin como o principal inimigo da Rússia, com o uso de sanções como ferramenta de pressão que, na visão dele, não teriam efeito decisivo sobre o regime. Khodorkovsky também comenta o papel de oligárquicos ocidentais, dizendo que alguns atuam como agentes de influência, mas sem que as sanções tenham o efeito esperado.
Ligações com o setor energético e com Abramovich
Khodorkovsky relembra a parceria que buscava fundir Yukos com Sibneft para criar a maior empresa petrolífera da Rússia, caso não tivesse sido interrompida pela prisão. Ele cita a venda de ações da Sibneft ao Kremlin e o uso de parte dos recursos para o Chelsea, clube de futebol, sob aprovação de Putin. O empresário ainda afirma ter tido sinais de interesse de Putin em um litígio entre Abramovich e o governo britânico sobre os recursos da venda do Chelsea.
Khodorkovsky também comenta a percepção de que as sanções contra oligarcas não teriam levado a um fim do conflito na Ucrânia, argumentando que o relacionamento entre riqueza e o Kremlin é complexo. Ele sustenta que, embora alguns oligarcas atuem como influentes no exterior, o poder ainda está fortemente vinculado ao aparato estatal.
Perspectivas futuras
O exímio crítico da ordem russa diz esperar que, no curto prazo, o ocidente evite uma escalada para uma guerra aberta, mantendo o foco em dissuasão e resposta a ataques. Ele aponta que a janela de oportunidade para Putin pode depender de fatores como o desempenho de Donald Trump na política interna dos EUA. Khodorkovsky ressalta ainda que mudanças estruturais na Rússia dependeriam de um intervalo de cinco a sete anos.
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