- A Guarda Revolucionária (Pasdarán) assume o controle mais ativo do governo iraniano, ocupando cargos antes civis e reforçando sua influência sobre todas as ramas do Estado durante o conflito com Estados Unidos e Israel.
- O comando militar passou a ser mais visível e decisivo, com substituições rápidas de comandantes mortos e fortalecimento de uma linha dura dentro da estrutura de poder.
- Mojtaba Jameneí foi escolhido líder supremo, em meio a uma rede de apoio chamada Círculo Habib, liderada por Hossein Taeb, que se tornou núcleo central do poder.
- O Círculo Mansourun e figuras associadas ganharam cargos estratégicos, enquanto o presidente Masud Pezeshkian viu sua authority reduzir e assinações de nomes passaram a depender de “ordens escritas” de militares.
- Analistas destacam que, embora a presidência tenha controle limitado sobre a gestão diária, a cúpula militar domina a estratégia do país, com disputa interna ainda presente e possibilidade de maior repressão a atores políticos internos após a guerra.
O texto analisa o fortalecimento da Guarda Revolucionária (Pasdarán) no cenário político e militar do Irã durante o atual conflito com Estados Unidos e Israel. A liderança passou a se impor em várias áreas do poder, sinalizando uma consolidação da linha dura. O movimento é apresentado como resultado de um processo histórico que vem se desenrolando ao longo de décadas.
O foco de poder migrou de estruturas civis para controlos militares, com a Guarda tomando decisões em áreas antes dominadas por civis. Analistas apontam que o controle não é apenas militar, mas também institucional, envolvendo nomeações em órgãos de segurança nacional e participação relevante na gestão do país.
Consolidação de domínio e nomes-chave
Ao longo do conflito, a Guarda Revolucionária substituiu comandantes mortos e assumiu cargos estratégicos, como o de secretários de órgãos de segurança. O círculo de influência inclui figuras do Círculo Habib e do Círculo Mansourun, com reforços de oficiais de alta patente.
Essa centralização se refletiu na nomeação de Moqtaba Jameneí como líder supremo, em meio a rivalidades internas entre facções da ala dura. A estrutura de segurança manteve-se sob controle próximo a Hossein Taeb, com apoio de outros líderes militares para consolidar a posição.
Poder e governança sob pressão
A presidência, até o momento, mantém função mais residual, limitando-se a assinar ordens. Enquanto isso, o aparato de segurança passa a influenciar decisões-chave, incluindo a designação de chefes de instituições e a formulação de políticas de defesa. Especialistas indicam que o país enfrenta uma gestão descentralizada em áreas estratégicas.
A situação interna é marcada por disputas de liderança entre o parlamento, o governo e a cúpula militar. Analistas ressaltam que as decisões estratégicas na guerra são amplamente influenciadas por círculos militares, com pouca coordenação direta com o poder executivo.
Contexto histórico e cenário atual
Historicamente, a presença da Guarda na economia e na política remonta a décadas, ampliada por sanções e políticas de privatização. A repressão a movimentos de 2009 e a ascensão de Raisí em 2019 agravaram o enfraquecimento de instituições civis frente à influência militar.
Especialistas destacam que, apesar de o presidente ter algum controle diário, ministros de segurança e inteligência estão sob alinhamento com a cúpula militar. Questionamentos sobre o papel final do líder supremo continuam. A conclusão sobre o alcance da autonomia institucional permanece aberta.
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