- Cinco meses após o cessar-fogo em Gaza, ataques aéreos continuam ceifando civis e a situação humanitária permanece grave.
- Autoridades de saúde reportam mortes e feridos em ataques recentes, com desabrigados convivendo com água suja, carência de serviços básicos e infraestrutura danificada.
- Preços de alimentos e itens essenciais subiram, em parte por operações militares nos EUA e em Israel contra o Irã, conforme relatos de moradores.
- Caminhos de entrada de ajuda seguem congestionados: a passagem de Kerem Shalom funciona como único ponto ativo para carga, enquanto Rafah permanece aberto apenas para migração de pacientes e cuidadores.
- Pacientes precisam deixar Gaza para tratamento médico fora do território; há relatos de escassez de diagnósticos e medicamentos, piorando o cenário de saúde pública.
Desde o início do cessar-fogo há cinco meses, ataques aéreos continuam, deixando civis mortos e a situação humanitária gravemente resistente. Em Khan Younis, um ataque no al-Mawasi deixou seis mortos e quatro feridos no início deste domingo.
A vida cotidiana permanece marcada pelo medo, com mercados vazios e filas por alimentos. Disparos, drones e tempestades de bombardeios compõem o cenário diário, enquanto famílias deslocadas enfrentam água suja e abrigo improvisado.
Diante disso, organizações humanitárias destacam dificuldades logísticas e de abastecimento. O cruzamento Kerem Shalom permanece como principal ponto de entrada de cargas, segundo autoridades, agravando gargalos de suprimentos.
O que mudou no dia a dia
A população relata queda na disponibilidade de gás, dificultando cozinhar, e aumento do preço de alimentos. Deslocados vivem em barracas alagadas pela água, com temperaturas frias persistentes e isolamento das comunidades.
De acordo com relatos, o preço de itens básicos subiu após a ampliação das ações contra o Irã pela região, segundo moradores, afetando especialmente famílias com renda reduzida. Em várias zonas, o acesso a serviços básicos é irregular.
O balanço de vítimas permanece elevado. Mais de 680 palestinianos foram mortos desde o cessar-fogo de outubro, com 26 mortes nas últimas 7 dias, segundo agências humanitárias. Infraestruturas danificadas elevam riscos de saúde pública.
Infraestrutura e saúde
Profissionais de saúde indicam que ferramentas diagnósticas básicas estão indisponíveis. Pacientes chegam com massas cancerígenas sem possibilidade de biópsias ou exames, levando muitos a perderem o tratamento adequado.
Antes da reabertura do crossing Rafah, havia mais de 11 mil pacientes em Gaza precisando de tratamento fora do território, e mais de 20 mil feridos aguardavam viagem, segundo dados oficiais. O fluxo depende de coordenação entre WHO e Egito.
A campanha de evacuação para tratamento fora de Gaza ganhou fôlego desde o início de 2025, com mais pessoas se deslocando via Israel para o exterior, de acordo com a autoridade militar responsável pela operação.
Entre na conversa da comunidade