- Até 25 de março, o governo de Bukele já deteve 91.628 pessoas, segundo dados oficiais.
- Mais de 33.000 detidos, ou 36%, não estavam registrados como pandilleros antes da medida de exceção.
- Em 2021, três informes internos estimavam 58.270 pandilleros e colaboradores em liberdade; o total de pandilheiros fora da prisão era de 58.270.
- Organizações de direitos humanos apontam denúncias de detenções arbitrárias, com casos de pessoas sem relação com pandilhas.
- O governo mantém a meta de chegar a cem mil detenções, defendendo o regime de exceção, mesmo com alegações de fraquezas nas investigações.
O governo de El Salvador, liderado por Nayib Bukele, ampliou pela 48ª vez o régimen de excepción, prometendo capturar o último pandillero. Dados oficiais indicam que, até 25 de março, foram detidas 91.628 pessoas, contra 58.270 pandilleros e colaboradores identificados previamente pela inteligência.
A diferença entre as capturas e o registro anterior revela uma margem de erro de, pelo menos, 33.360 pessoas. Em números, mais de 36% dos detidos não constavam como pandilleros nos registros antes da medida, segundo cruzamento entre relatórios internos de inteligência e dados oficiais.
O levantamento, obtido por meio de documentos de inteligência policial, aponta que o Governo classifica esse fenômeno como margem de erro. A prática gerou críticas de organizações de direitos humanos, que sinalizam detenções arbitrárias e utilização de denúncias anônimas sem devida verificação.
Brecha e controvérsias
Relatórios mostraram que, em novembro de 2021, três das principais gangues já apresentavam sinais de enfraquecimento, com quedas de homicídios visando benefícios carcerários. Mesmo com esse quadro, o regime permaneceu ativo e as detenções continuaram em ritmo elevado.
Casos individuais ajudam a ilustrar o tema. Como Santos Navarro, cuja ficha não constava antes de 2022, foi preso em julho de 2023 por suposto envolvimento com a MS-13 e morreu na prisão em 2024. Familiares afirmam que a denúncia foi anônima e que ele não recebia atendimento médico adequado.
Organismos de direitos humanos registram milhares de denúncias de detenções arbitrárias, incluindo centenas de mortes em custódia. Em 2024, a ONG Cristosal relatou cerca de 3.8 mil denúncias nesse âmbito, com aproximadamente 96% relatando prisões sem evidências consistentes.
Contexto institucional
Filtragens de comunicações da Polícia Nacional Civil, expostas por meio de um episódio conhecido como Guacamaya Leaks, sugerem que dados de inteligência usados para prender pessoas nem sempre eram consistentes. Ex-funcionários da polícia confirmam problemas de credibilidade e de confirmação de fatos.
A Secretaria de Prensa da Presidência já havia divulgado, em novembro de 2022, que mais de 58 mil pandilleros haviam sido capturados em oito meses, com período de zero homicídios registrado. Dados posteriores, porém, ampliaram o número de detenções, sem reavaliação pública proporcional.
Perspectiva oficial e balanço
Oficialmente, o regime de exceção continua em vigor, com a justificativa de que ainda existem pandilleros a capturar. O governo sustenta que a meta envolve a punição de organizações criminosas e a dissuasão de novos ataques, enquanto críticos pedem revisões independentes dos casos e responsabilização por detenções irregulares.
Com mais de 91 mil detenções registradas até o momento, o governo afirma não recuar até completar a captura do que considera o último pandillero, mesmo diante das críticas sobre impactos a civis e possíveis violações de direitos.
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