- Duas meses depois do início da transição, não há clareza sobre a transição política na Venezuela, apesar de Maduro não estar mais no poder e de estar preso.
- A defesa de Leopoldo López é por eleições generales, com um novo Conselho Nacional Eleitoral, para abrir espaço a todos os partidos, incluindo chavistas.
- López afirma que há prioridade pela estabilidade econômica e pela recuperação, com foco especial na indústria de petróleo e gás, e cita influência dos Estados Unidos como pauta relevante.
- O exílio pode retornar, segundo López, mas ele ainda não tem moradia nem nacionalidade venezuelana reconhecida; ele se diz apátrida e relata ter casa tomada e cães mortos.
- Ele aponta que leis de amnistia e de hidrocarburos existem, mas são vistas como medidas discrecionais que mantêm estruturas de poder; defende justiça, memória e a possibilidade de um museu para locais como Helicoide e Ramo Verde.
Leopoldo López, líder opositor venezuelano exilado na Espanha, afirma que a prioridade é a realização de eleições. O político diz que gostaria de retornar o quanto antes, mas que ainda não existem condições para isso no país.
A entrevista, concedida ao EL PAÍS, ocorre em meio a uma like de mudanças políticas. López continua ligado ao bloco oposicionista próximo de Maria Corina Machado, que hoje lidera a coalizão antichavista, e defende um calendário eleitoral claro sob supervisão independente.
Cenário atual da transição
López afirma que houve mudança no cenário, com a prisão de Maduro e a ausência dele no poder. Ainda assim, ressalta que não há clareza suficiente sobre a transição política, que deveria priorizar estabilidade, recuperação econômica e, principalmente, eleições livres.
Condições para eleições
O oposicionista defende eleições gerais que renovem todos os poderes. Ele cobra um novo Conselho Nacional Eleitoral e destaque a necessidade de eleições inclusivas, verificáveis e sob supervisão internacional para legitimar um governo futuro.
Relação com atores externos
O entrevistado comenta a influência dos Estados Unidos e a presença de outros países na política venezuelana. Embora reconheça mudanças, ele aponta que a transição democrática depende de um acordo interno entre forças políticas para assegurar eleições justas.
Retorno ao país
Questionado sobre a possibilidade de retornar, López diz desejar fazê-lo o quanto antes, mas aponta riscos. A única propriedade dele na Venezuela foi confiscada, a nacionalidade foi retirada, e ele alega ser apátrida. Também cita a ausência de condições mínimas para a participação política no exílio.
Possíveis caminhos da transição
O político considera que a transição deve combinar justiça e memória histórica. Propõe mecanismos que assegurem responsabilidade, sem excluir a participação de atores ligados ao governo anterior, desde que haja critérios legais e transparentes.
Panorama institucional e amnistias
Sobre leis de amnistia e hidrocarbonetos, López vê alterações que, na prática, mantêm estruturas de poder. Considera positiva a libertação de presos, atribuindo parte do mérito aos Estados Unidos e destacando que a transparência do processo é essencial.
Modelo de transição
López enfatiza que o modelo de transição não deve ser pensado como uma única etapa. Defende eleições gerais com governo posterior, deixando para o futuro as discussões sobre cargos e composições políticas.
Observação sobre o chavismo e inclusão
Em relação à participação de aliados do chavismo, o exilado afirma que a entrada de representantes de todos os espectros é essencial para a democracia. Defende que direitos políticos, como escolher e ser eleito, devem ser assegurados a todos.
Referência à experiência espanhola
Ao comparar com a transição espanhola, López ressalta que a inclusão de adversários políticos ocorreu em etapas e reforça a ideia de que apenas uma eleição pode viabilizar uma transição real para a Venezuela.
Fonte: entrevista publicada pelo EL PAÍS.
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