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Eleição na Dinamarca: direita radical perde ritmo sob Frederiksen, a custo

Frederiksen freia a direita, mas o anti-imigração torna-se tema comum, moldando o debate e aproximando ideias extremistas do centro

Mette Frederiksen on the campaign trail ahead of the election.
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  • A Dinamarca realiza-se nesta terça-feira uma eleição, com expectativa de que Mette Frederiksen tenha um terceiro mandato como primeira-ministra.
  • A Danish People’s Party (DPP), de linha anti-imigração, deve obter cerca de 7,5% dos votos; partidos menores de posição semelhante somam mais cerca de 9%.
  • Muitos acreditam que as ideias da DPP não foram derrotadas, mas sim cooptadas pelo próprio centrista de Frederiksen, o que tornou o discurso mais à direita.
  • Frederiksen manteve políticas de imigração duras desde 2019, o que tem atraído atenção internacional e influenciado abordagens em outros países europeus, ao mesmo tempo em que reduz o crescimento de forças de extrema direita na Dinamarca.
  • Em nível local, o debate sobre imigração ganhou destaque, com críticos apontando que o governo se aproximou de votantes de direita, enquanto apoiadores destacam a necessidade de controle de fronteiras.

O governo de Mette Frederiksen, em fim de mandato, enfrenta a pressão de manter o controle do Parlamento dinamarquês, enquanto o Partido Popular de Direita (DPP) registra apoio relativamente baixo nas pesquisas. A votação ocorre nesta terça-feira, em meio a preocupações sobre imigração e segurança. A verificação de cenários aponta que a formação de coalizões pode depender de partidos de centro.

No centro da disputa está a percepção de que as propostas anti-imigração ganharam espaço na agenda pública, mesmo com o recuo aparente do DPP nas urnas. Analistas observam que a retórica de Frederiksen atraiu eleitores moderados, ao mesmo tempo em que empurrou o debate para uma posição mais à direita.

Mayasa Mandia, 23 anos, residente em Kokkedal, analisa colocar o voto na esquerda, buscando um bloco que apoie a Social-Democracia, sem o apoio direto a Frederiksen. A jovem muçulmana afirma que o governo normalizou comentários de origem étnica e religiosa no debate público.

Ela aponta episódios em universidades locais como indicativos do ambiente político: discussões sobre a proibição de orações e preocupações com símbolos religiosos. Mandia defende abertura para refugiados, inclusive de Irã, em comparação com o tratamento de ucranianos e outros grupos.

A campanhas na Dinamarca destacam o papel do DPP, que disputa cerca de 7,5% das intenções de voto, com pequenas formações de orientação semelhante somando mais 9%. Muitos eleitores veem o fenômeno como resultado da reorientação promovida pela centro-esquerda, não como derrota das posições nacionalistas.

Durante a campanha, Frederiksen disse que não desejava receber refugiados do Irã, o que para Mandia reforça a leitura de que a primeira-ministra busca eleitores de direita. Em contraste, Mandia sustenta que é preciso manter portas abertas para refugiados afetados pela guerra e por violências.

Kokkedal, região ao norte de Copenhague, ficou marcada por disputas locais desde 2012, quando houve controvérsia sobre celebrações de fim de ano e uma alegação de “guerra contra o Natal” por parte de uma associação habitacional. O tema é citado por apoiadores do DPP como exemplo de resistência cultural.

Candidatos do DPP, como Mikkel Hartwich, enfatizam a prioridade de manter a Dinamarca para moradores locais e exigir contribuição dos que desejam viver no país. Operadores de campanha relatam que esse tom ressoa entre parte do eleitorado, especialmente em áreas urbanas com tensões sociais.

Especialistas ouvidos destacam que, no contexto dinamarquês, grande parte do espectro político migrou para posições mais à direita em relação à imigração. O deslocamento, segundo analistas, não resulta apenas da atuação do DPP, mas da resposta dos partidos tradicionais.

O voto de terça-feira tende a confirmar ou refutar previsões de que as coalizões dependerão de um apoio de centro, com o Moderados surgindo como fator decisivo para a formação de maioria. Pesquisas recentes indicam que tanto blocos vermelhos quanto azuis dependem de aliados estratégicos.

Ao fim, a eleição deverá indicar se Frederiksen conseguirá seguir para um terceiro mandato, ou se novos acordos entre forças políticas menores redefinirão o mapa governista. O desfecho, para analistas, pode redefinir o tom do debate migratório no país.

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