- O professor Michel Gherman, da UFRJ, diz que Netanyahu quer alongar a guerra contra o Irã para sustentar a vitória e passar pelo calendário eleitoral de Israel.
- Segundo ele, o conflito funciona como um “final de novela” para o premiê, que associa o Irã à maior ameaça para manter o poder.
- Gherman afirma que o ataque de 7 de outubro atribuído ao Hamas não teve participação do Irã, mas o vínculo entre os dois temas foi criado por Netanyahu para permanecer no cargo.
- Mesmo com apoio público à guerra acima de oitenta por cento, não houve mobilidade significativa entre os blocos pró e anti-Netanyahu nas pesquisas.
- O professor aponta três motivos para prolongar o conflito: manter o apoio, evitar que o 7 de outubro seja esquecido e dificultar ações judiciais contra Netanyahu, que teme ser preso; há ainda mandado de prisão do TPI desde novembro de 2024.
Benjamin Netanyahu é apresentado por um professor de sociologia como quem busca alongar a guerra contra o Irã para sustentar uma promessa de vitória e atravessar o calendário eleitoral de Israel. A análise, publicada no UOL News, aponta que o premiê transforma o conflito em uma narrativa de ameaça iminente.
Segundo Michel Gherman, a guerra teria um tom de “final de novela” para Netanyahu, que há décadas constrói a imagem de uma ameaça permanente representada pelo Irã. A estratégia, na visão do pesquisador, serve para justificar a continuidade no poder e reduzir riscos políticos internos.
Contexto do ataque de 7 de outubro
Gherman afirma que o ataque do Hamas em 7 de outubro não envolveu o Irã, pelo menos segundo indícios disponíveis, mas o vínculo entre os temas foi criado para manter Netanyahu no cargo. O objetivo, na leitura dele, é manter o apoio público à condução da crise.
Ainda conforme o professor, o apoio à guerra supera 80% em algumas pesquisas, porém não houve mobilização significativa entre blocos favoráveis e contrários a Netanyahu, o que indica limitação de impacto imediato no cenário eleitoral.
Implicações legais e internacionais
No âmbito legal, Netanyahu é alvo de mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional em novembro de 2024, por crimes de guerra na Faixa de Gaza. Também constam da ação o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant e o ex-líder do Hamas, Mohammed Deif, entre os citados no pedido.
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