- Seis estudantes de Sudão (cinco) e Afeganistão reivindicaram discriminação racial e entraram com ação legal para tentar derrubar a proibição de ocupar vagas universitárias no Reino Unido.
- Os alunos estavam com ofertas de universidades como Oxford, Cambridge e Imperial College London, para cursos de medicina e ciência.
- A ferramenta é a “emergency brake” (freio de emergência) para vistos de estudo de quatro países — Sudão, Afeganistão, Mianmar e Camarões — que entra em vigor em vinte e seis de março.
- A decisão ocorreu após um aumento de mais de quatrocentos e setenta por cento nos pedidos de asilo de pessoas que chegam já no país após terminar os estudos, entre 2021 e 2025.
- O governo afirma que rotas de estudo foram amplamente usadas para pedir asilo; críticos dizem que poucas opções legais existem e que há impactos significativos para as universidades e para os próprios estudantes.
Six estudantes do Sudão e do Afeganistão entraram com ação legal contra a secretária de Interior do Reino Unido, alegando discriminação racial e buscando derrubar a medida que impede a entrada de estudantes com vagas universitárias no país.
Os alunos, cinco do Sudão e um do Afeganistão, possuem diplomas de medicina e áreas afins e haviam recebido ofertas de universidades como Oxford, Cambridge e Imperial College London.
A medida, anunciada pela secretária Shabana Mahmood, estabelece um freio de emergências para vistos de estudo de cidadãos de quatro países — Sudão, Afeganistão, Mianmar e Camarões — que entrará em vigor em 26 de março.
O que mudou e por quê
O governo justificou o freio com o aumento de solicitações de asilo de pessoas que entram no país após concluírem os estudos. O Home Office informou que as candidaturas de estudantes desses quatro países subiram mais de 470% entre 2021 e 2025.
Os estudantes em causa afirmam que a decisão é ilegal, irracional e viola leis de direitos humanos, além de apresentar discriminação racial e falhas na justificativa de tratamento diferenciado.
Na carta de ação, eles pedem a retirada do freio ou a suspensão para quem já tem início de curso no Reino Unido ainda neste ano. O documento descreve o efeito discriminatório direto da medida sobre nationals de quatro países.
Reações e impactos
Fontes do Home Office afirmam que rotas de estudo não devem servir como mecanismo para solicitar asilo, enquanto críticos apontam que existem poucas alternativas legais seguras.
O governo sinalizou que o freio pode ser estendido a outros países com maior risco de asilo. Advogados dos estudantes afirmam que dezenas de pessoas das quatro nações já contataram a defesa para compor o processo.
O impacto financeiro recai sobre as universidades que ofertaram vagas, bem como sobre os planos de carreira dos estudantes. As instituições podem não conseguir remanejar as vagas para outros alunos já em estágio avançado do processo.
Ahmed Aydeed, representante dos estudantes, afirma que a medida prejudica talentos que poderiam estudar no Reino Unido e critica a mudança de enfoque do governo em relação à lei.
Representantes do governo destacam que as rotas de estudo foram abusadas, gerando a necessidade de ações sem precedentes para suspender as vias de certos países. As autoridades asseguram que o objetivo é manter vias seguras e legais para quem foge de perseguição.
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