- Dois ataques a plantas dessalinizadoras, um em Qeshm, no estreito de Ormuz, e outro em Baréin, ocorreram desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, há três semanas.
- O Irã afirmou ter sido alvo, enquanto Washington negou o ataque; Baréin informou danos materiais causados por drone iraniano.
- Regiões árabes do Golfo dependem fortemente de dessalinização, com mais de quatrocentas plantas e participação variável na água potável entre os países (ex.: 42% no Emirados Árabes Unidos, 70% na Arábia Saudita, 99% no Qatar).
- As infraestruturas dessalinizadoras ficam próximas a áreas logísticas e energéticas, tornando-se alvos militares potenciais e aumentando a vulnerabilidade da região.
- Especialistas sugerem ampliar a recarga de aquíferos, buscar soluções para reduzir a dependência da dessalinização e fortalecer redes hídricas regionais, embora reconheçam que as plantas continuarão vulneráveis.
Desde o início de março, ataques coordenados entre Estados Unidos, Israel e ações da República Islâmica contra o Irã atingiram alvo sensível: a infraestrutura hídrica. As ações comprometeram plantas de desalinização em Qeshm e em Baréin.
A agressão sobre Qeshm, no estreito de Ormuz, foi negada pelos EUA, mas o chanceler iraniano citou danos a 30 municípios. No dia seguinte, Baréin informou danos materiais causados por drone iraniano a uma planta de dessalinização.
Até o momento, o impacto permanece limitado. Contudo, a região enfrenta alta dependência de desalinização: mais de 400 plantas entre os seis países do Golfo respondem por parte relevante da água potável, para uma população concentrada.
A vulnerabilidade é acentuada pela localização costeira de muitas usinas e pela proximidade com alvos militares. Em Abu Dhabi e Dubai, por exemplo, instalações próximas a portos elevam o risco de interrupções no abastecimento.
Especialistas apontam que, mesmo grandes, as maiores plantas contam com múltiplas unidades, o que dificulta o desligamento total. Ras Al Khair (SA) e Jebel Ali (UAE) são citadas como exemplos de complexos com várias estações.
O direito internacional proíbe ataques a infraestruturas de água, mas não é unânime entre os signatários. Israel, EUA e Irã ainda não ratificaram integralmente alguns dispositivos, o que complica a aplicação prática.
Historicamente, Israel tem um histórico de ataques a água potável na região, com ações registradas na Faixa de Gaza e no Líbano. No Golfo, ataques de facções aliadas a Irã também elevam a vigilância sobre o setor hídrico.
Especialistas sugerem medidas para reduzir a vulnerabilidade, como recarga artificial de aquíferos, descentralização da dessalinização e integração regional de redes hídricas. Ainda assim, há quem veja a fragilidade persistente.
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