- A corte criminal de Paris condenou Sabri Essid, membro do Estado Islâmico, por genocídio e crimes contra a humanidade, em julgamento realizado na ausência do réu.
- A decisão se baseia em depoimentos de duas mulheres yazidis escravizadas pelo grupo entre 2014 e 2016 no que foi declarado califado iraquiano-sírio.
- As testemunhas relatam que Essid comprou mulheres para uso sexual e as manteve como escravas, com relatos de estupros diários, muitas vezes diante de familiares.
- O tribunal também citou transcrições de um grupo Telegram com relatos de venda de mulheres e meninas como escravas sexuais, com preços que chegavam a milhares de dólares.
- O genocídio yazidi teve início em Sinjar, em agosto de 2014, com cerca de seis mil yazidis escravizados; cerca de dois mil continuam desaparecidos.
Sabri Essid, francês ligado ao Estado Islâmico, foi condenado pela Justiça francesa por genocídio e crimes contra a humanidade. O veredito ocorreu na manhã de hoje na prisão de Paris, em julgamento realizado à distância, com a defesa ausente.
A decisão envolve atrocidades cometidas contra a comunidade yazidi no Iraque entre 2014 e 2016. Essid foi acusado de integrar um sistema organizado de assassinato, estupro e escravização de yazidis, etnia com raízes antigas na região.
A condenação foi baseada em depoimentos de duas mulheres yazidis que foram mantidas como escravas sexuais pelo acusado. Elas relataram violência diária e abusos, incluindo cenas com a presença de familiares, durante mais de dois anos.
O caso incluiu evidências de mensagens de um grupo no Telegram, descrito como um mercado para soldados do califado, com relatos de venda de mulheres e até crianças. Transcrições foram apresentadas em sala de audiência.
Entre as peças apresentadas, houve registro de alguém que estabelecia preços para mulheres e meninas, com as menores sendo apontadas como admissíveis para exploração, conforme documentos exibidos ao tribunal.
Os Yamazidi denunciam que o genocídio começou com a tomada de Sinjar, em agosto de 2014, quando milhares foram mortos e cerca de 6 mil Yazidis foram escravizados; estima-se que 2 mil continuam desaparecidos.
Contexto e julgamento
A promotoria destacou que Essid, natural de Toulouse, participou de um regime de violência estruturado contra yazidis. Ele viajou à fronteira norte do Iraque com a Síria em 2014 e só recentemente foi julgado, já que estava ausente do país no momento do veredito.
A defesa alegou desconhecimento de alguns crimes, mas o tribunal manteve a condenação com base nas evidências apresentadas. A sentença representa uma das primeiras condenações na França por genocídio envolvendo membros do Estado Islâmico.
Impacto e Reações
Advogados de defesa e representantes de organizações de proteção aos yazidis ressaltaram a importância do julgamento. Clémence Bectarte, que assessora famílias afetadas, afirmou que o veredito traz reconhecimento à dor das sobreviventes e às crianças expostas ao abuso.
Paralelamente, ativistas ressaltam a necessidade de ampliar a responsabilização internacional por atrocidades cometidas em territórios controlados pelo grupo extremista. A investigação segue para eventuais recursos e desdobramentos dentro do sistema judiciário francês.
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