- Em uma operação de TEK, sete funcionários da Oschadbank foram detidos em 5 de março durante a escolta de um comboio de carros blindados de Viena para a Ucrânia, na Hungria.
- Durante o período de detenção, um dos ucranianos recebeu uma “injeção forçada”; fontes de Kyiv dizem que o preparado continha relaxante para deixar a pessoa mais propensa a falar em interrogatórios.
- O medicamento pode ter causado crise hipertensiva e desmaio em o paciente, que é diabético, levando-o a receber atendimento médico após perder a consciência.
- A Hungria mantém os bens apreendidos, incluindo dinheiro e ouro, e deportou os sete para a Ucrânia, proibindo-os de entrar no espaço Schengen; a Oschadbank busca a devolução dos recursos.
- A polícia húngara admite falhas na operação, como desconhecimento sobre rastreadores GPS na viatura; a denúncia envolve abuso de poder e uma disputa política ligada a eleições na Hungria.
Oito agentes da polícia de segurança de Hungria realizaram a detenção de sete ucranianos, funcionários do banco de poupança estatal Oschadbank, em 5 de março, durante a escolta de um comboio de dois carros blindados que transitava pela Hungria entre Viena e a Ucrânia. A operação resultou na apreensão de recursos financeiros e de valores em ouro, com destino alegado a Kiev. Os detidos ficaram mais de 24 horas sob custódia, grande parte desse tempo com olhos vendados e sem permitir intérprete, antes de serem deportados para a Ucrânia.
Segundo fontes de Kiev, um dos ucranianos realizou uma injecção forçada durante o período de detenção. A substância seria um relaxante cujo objetivo seria facilitar interrogatórios, segundo as mesmas fontes. O remédio provocou crise hipertensiva no homem, que é diabético, e ele foi levado ao hospital após perder a consciência.
Detenção e injecção
Um advogado dos ucranianos em Hungria confirmou que houve uma injecção de conteúdo desconhecido, apesar de objeções do detido. A polícia de Hungria confirmou que houve uma injecção, sem detalhar o conteúdo. O banco Oschadbank informou que um dos indivíduos é portador de deficiência, com dieta especial e medicação regular, e que a saúde dele se deteriorou até perder a consciência, recebendo atendimento médico somente após o desmaio.
O banco acionou a Justiça, apresentando queixa criminal contra autoridades de Hungria por abuso de função, além de ações cíveis e criminais para reverter a deportação e impedir nova proibição de entrada no espaço Schengen. A instituição também busca a devolução dos fundos, que permanecem apreendidos.
Contexto político e desdobramentos
A operação ocorreu em meio a um cenário eleitoral na Hungria, com avaliações apontando risco de perda de suporte ao governo de Viktor Orbán. Kiev acusa Budapeste de buscar pretexto para agravar atrito com a Ucrânia. Segundo uma linha de fontes ucranianas, transfers terrestres de fundos passaram a ocorrer com maior frequência desde o fechamento do espaço aéreo ucraniano por conta da guerra, e algumas missões contaram com escolta policial, embora não nesta ocasião.
As autoridades húngaras continuam investigando o eventual uso de recursos. A União Europeia mantém pressão sobre a gestão de fundos destinados à Ucrânia, com Orbán defendendo posições críticas a Kyiv e a Brussels. A resposta a este caso envolve a devolução de valores e avaliação de responsabilidades das autoridades envolvidas.
Entre na conversa da comunidade