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Caso dos safaris humanos de Sarajevo avança, destino incerto na Itália, três investigados

Caso dos 'safaris humanos' de Sarajevo avança na Itália com três investigados; livro traz novos testemunhos e aponta rede internacional por trás dos viajes

Ciudadanos de Sarajevo, Bosnia, se protegen de disparos de francotiradores tras un carro de combate de la ONU en 1995.
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  • A investigação italiana, conduzida pela Procuradoria de Milão, mira suspeitos de viagens organizadas para atirar em civis durante a guerra de Bosnia, na década de noventa, conhecidas como “safaris humanos”.
  • Três pessoas foram inscritas como investigadas: um camionista de cerca de oitenta anos da região Friuli, um caçador do centro do país e um empresário de Lombaria; todos teriam falado sobre participação nesses viajes.
  • Ezio Gavazzeni publicou o livro I cecchini del weekend, com novos testemunhos e detalhes sobre as investigações, baseados em relatos que emergiram ao longo da denúncia e da cobertura midiática.
  • O livro traz depoimentos de várias pessoas, incluindo um espanhol identificado como Toni C., que relata participação na organização e descreve o esquema como coisa de ricos.
  • Um ex-agente de serviços secretos italianos e um mercenário conhecido como El Francés ampliam relatos sobre a existência de uma agência belga com sede em Londres e uma rota que, partindo de Milão, levava turistas de guerra a Sarajevo (e às vezes a outras cidades) com tarifas pagas por vítima.

O caso dos “safaris humanos” em Sarajevo avança na Itália com três investigados, enquanto surgem novos testemunhos em livro. A investigação em Milão envolve a possível participação de viajantes europeus que pagavam para atirar contra civis durante o cerco de Sarajevo, nos anos 1990. As apurações começaram após a denúncia de Ezio Gavazzeni, jornalista que reuniu informações e entregou à Fiscalía de Milán.

A investigação já identificou três pessoas como investigadas, conforme a imprensa italiana. Um caminhoneiro de cerca de 80 anos, de San Vito al Tagliamento, teve a casa alvo de diligências dos Carabinieri. Ele foi ouvido pelo Ministério Público, negando envolvimento e afirmando ter ido a Bosnia a trabalho, não para “caçar”.

Os outros dois investigados seriam um morador do interior que aprecia a caça e um empresário de Lombardía. Em todas as divulgações, as autoridades destacam que esses indivíduos teriam feito comentários sobre participação nos viagens, e teriam sido apontados por testemunhas que os escutaram.

Detalhes da investigação e novos testemunhos

Gavazzeni publicou o livro I cecchini del weekend, com 280 páginas, trazendo mais detalhes. Parte dos relatos já havia sido antecipada, e alguns testemunhos foram coletados após a denúncia e a cobertura da imprensa. Os relatos são majoritariamente baseados em ouvir falar, mas repetem pontos em comum.

O livro também traz o relato de um cidadão espanhol identificado como Toni C., que descreve a participação de um espanhol de origem catalã na organização dos safaris. A menção aponta que a participação era restrita a um grupo de pessoas com poder aquisitivo, frequentemente associadas a ideologias de direita.

Testemunhos adicionais e perfis dos participantes

Entre os relatos, há apontamentos de um exagente de serviços secretos italianos e de um mercenário apelidado de El Francés, que teria atuado como guia de grupos. Segundo ele, as excursões consistiam em trípias com dois acompanhantes, em peças de apoio, e teriam ocorrido também em Mostar, Tuzla e Srebrenica.

El Francés afirma que a organização teria ligação com uma agência belga, com sede em Londres, e participação de um grupo em Milão. O trajeto descrito envolveria Milan, Trieste, Belgrado, antes da marcha para o front. O relato também cita a possibilidade de que alguns participantes teriam morrido durante as viagens.

Contexto e números apontados

Segundo o depoimento do ex-mercenário, estimativas indicariam cerca de 230 italianos entre 1991 e 1995, com participação adicional de franceses, belgas, suíços e austríacos. Ele afirma ter feito nove jornadas, com controles de frequência que variavam entre seis a nove viagens.

O ex-mercenário descreve uma terminologia interna para indicar quem disparava e quem era o alvo. A narrativa também menciona tarifas pagas por cada vítima, com modelos de pagamento via agência, em dinheiro, e com marcação de cenas de morte por meio de cores nos casquillos.

Continuidade da apuração

Até o momento, não há confirmação de que El Francés vá depor diante do Ministério Público. A pista mais consistente permanece a apresentada por Edin Subasic, ex-agente bosnio, que informou o relato à SISMI em 1994 e que foi corroborado por outras fontes, incluindo Michael Giffoni, ex-número dois da missão italiana em Sarajevo. Autoridades aguardam documentos oficiais que possam sustentar as investigações.

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