- Exilados iranianos na Europa divergem entre perceber a ofensiva de EUA e Israel como caminho para derrubar o regime e achar que pode ter fortalecido a oposição.
- O conflito, já na terceira semana, deixou mais de 2.000 mortos, com a maioria no Irã; ONGs estimam entre quatro mil e seis mil casos documentados.
- Para Hamid Hosseini, 74 anos, “as bombas não trazem democracia” e a oposição fica mais fraca sob as ofensivas.
- Zhino Babamiri, filha de Rezgar Beigzadeh Babamiri, lidera a iniciativa Daughters of Justice; o pai, médico, segue preso após ações de apoio a manifestantes.
- Há quem veja potencial saída na pressão internacional e no surgimento de movimentos como Mulher, vida e liberdade, enquanto outros permanecem cautelosos sobre mudanças reais na situação iraniana.
Hamid Hosseini, ativista iraniano exilado na Espanha, relembra o momento em que houve a queda do shah em 1979 como um sonho adiado. Hoje, aos 74 anos, ele acompanha com cautela a escalada de conflitos entre EUA, Israel e Irã, que avançou na semana passada com ataques aéreos.
Para muitos iranianos no exterior, a percepção é dúbia: por um lado, a pressão internacional despertou movimentos pró-democracia; por outro, a ofensiva recente fortaleceu setores do regime e dificultou a atuação da oposição, segundo relatos de exilados.
A ofensiva iniciada em 28 de fevereiro é vista por alguns membros da diáspora como um obstáculo à mobilização social no Irã, com a Guarda Revolucionária ganhando espaço diante da pressão popular. A opinião varia entre manter a esperança de mudança e temer que a violência desmobilize protestos.
Entre os que preservam o otimismo, Jeiran Moghadam, professora na Alemanha, destaca a resiliência de movimentos liderados por mulheres, que tiveram papel central em ativismo recente. Em contraste, outros defendem que a atuação externa pode ter impactos contrários aos seus objetivos.
Jeiran, que trabalhou na Universidade Allameh Tabataba’i, observa que a repressão durante décadas levou muitos a buscar refúgio na Europa. Ela descreve o exílio como um processo traumático, marcado pela distância de familiares e pela necessidade de reconstruir a vida longe de casa.
No caso de Babak Khatti, médico pediatra exilado na Alemanha, a família também vive o peso da distância. Seu trabalho incluiu apoiar redes de médicos que atuavam em domicílios para evitar detenções, uma linha de atuação que foi erguida em resposta à repressão. Khatti já enfrentou prisões e torturas, conforme relatos de organizações de direitos humanos.
Outro denunciado pela repressão é Rezgar Beigzadeh Babamiri, agricultor kurdo detido em 2023 após ajudar clínicas clandestinas durante as manifestações de 2022. A filha Zhino Babamiri, que vive em Oslo, lidera campanhas internacionais para buscar a libertação do pai, integrando a iniciativa Daughters of Justice.
Famílias no exterior mantêm o foco em direitos humanos e na proteção de quem ficou no Irã. Zhino diz que muitos iranianos desejam o fim do regime, ainda que divergir sobre estratégias políticas. Ela ressalta que a prioridade é a proteção das pessoas e o respeito aos direitos humanos.
Ao longo dos relatos, as histórias convergem na ausência permanente que marca o exílio: a saudade da terra natal, a lembrança das ruas de Teerã e o desejo de retorno. Mesmo diante de dificuldades, alguns mantêm a esperança de que mudanças democráticas possam ocorrer no Irã.
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