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No Líbano, a guerra dita o ritmo do Ramadã para famílias deslocadas

Conflitos obrigam famílias deslocadas em Beirute a jejuar em abrigos, com evacuações constantes e interrupção de tradições do Ramadan

Salam Issa Rida, 43, her husband Ahmed Rida, 43, and other family members break their fast at iftar during Ramadan as they shelter at Camille Chamoun Stadium, following an escalation between Hezbollah and Israel amid the U.S.-Israeli conflict with Iran, in Beirut, Lebanon, March 14, 2026. REUTERS/Claudia Greco
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  • O mês de ramadã está sendo marcado pelo conflito entre forças Hezbollah e Israel, com bombardeios e ordens de evacuação que afetam famílias deslocadas no Líbano.
  • Salam Issa Rida, mãe de seis, voltou ao seu lar nos subúrbios sul de Beirute para preparar o jantar de iftar, mesmo com o alerta de ataque vindo do Exército israelense.
  • O Camile Chamoun Stadium, maior estádio do país, abriga centenas de famílias e recebe ajuda médica, além de distribuir arroz e sopa para o iftar. Voluntários também fornecem mantas e lonas.
  • Deslocados tentam manter tradições do ramadã, mas o deslocamento constante e as ordens de saída dificultam as reuniões familiares e a prática de rituais diários.
  • O fim do ramadã e o Eid al-Fitr devem ser impactados, com relatos de sacrifício e saudade de tradições, além da sensação de serem “estranhos em seu próprio país” pela separação da família.

Salam Issa Rida, mãe de seis filhos, prepara carne de frango em uma frigideira sobre um fogareiro de acampamento ao lado do abrigo improvisado que chama de casa. O alimento é para o iftar, a ceia que rompe o jejum durante o mês sagrado de Ramadan, em meio a uma cidade sob fogo.

Mais cedo, a família deixou a casa nos arredores sul de Beirute, uma área classificada pela defesa israelense como zona de evacuação e alvo de bombardeios. Enquanto recolhia ingredientes, as autoridades israelenses emitiram novo aviso para deixar o local, citando ameaça de ataque iminente.

O Camille Chamoun Stadium, o maior espaço esportivo da cidade, tornou-se centro de deslocados para centenas de famílias. No local, organizações oferecem atendimento médico e distribuem arroz e sopa, além de itens básicos para enfrentar as noites frias.

Contexto de deslocamento

Ao longo da orla de Beirute, centenas de pessoas vivem em tendas ou ocupam prédios municipais como escolas. A rotina religiosa persiste, com jejum ao nascer e jantar ao pôr do sol, ainda que os riscos de ataques aéreos ditem o ritmo do mês.

Salam tenta manter tradições do Ramadan, embora a situação obrigue mudanças. Evacuações em massa foram ordenadas há duas semanas para bairros ao sul, gerando deslocamento abrupto de famílias inteiras.

Desafios diários dos deslocados

No abrigo, Salam divide espaço com o marido, os filhos e a irmã da esposa, enquanto sirenes de ataques próximos ecoam nas paredes de concreto. A chuva recente enviou água para dentro das tendas, agravando as dificuldades.

A família não tem condições de alugar um imóvel. Inquilinos relutam em receber muçulmanos xiitas entre os deslocados, por receio de retaliações. A evacuação impede a reunião tradicional com familiares e visitas a cemitérios.

Salam continua tentando retornar, quando possível, à casa desocupada para buscar itens do jantar e conservar a esperança de manter parte das memórias do Ramadan junto aos filhos. A situação econômica dificulta ainda mais a permanência em Beirute.

O conflito envolve ainda o grupo armado Hezbollah e a atuação militar de Israel na região, com impactos diretos sobre a mobilidade e o abastecimento das famílias. Autoridades de defesa destacam que o retorno seguro depende de condições na fronteira.

Ahmed, esposo de Salam, usa cadeira de rodas e descreve o Ramadan como período de sacrifício, oração e comunidade fragilizada pela distância entre famílias. Eles reforçam que o Ramadan deste ano exigiu mais doação de tempo e recursos.

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