- Gerry Adams disse ao tribunal de alta instância que ficou surpreso com o atentado de Docklands, em 1996, e negou estar no centro das operações do IRA.
- O ex-líder do Sinn Féin é acusado num processo civil de ter feito parte do IRA, ter integrado o conselho militar e ser responsável pelos atentados de Docklands, Manchester e Old Bailey em 1996 e 1973, respectivamente.
- No segundo dia de depoimento, o procurador sugeriu que Adams poderia ter incentivado a explosão para sustentar a estratégia política do Sinn Féin; ele negou ter conhecimento prévio da explosão de fevereiro de 1996.
- Adams afirmou que as explosões encerraram o cessar-fogo do IRA e, possivelmente, a estratégia de paz que ele e outros tentaram manter por trinta anos.
- O defensor afirmou que há pouca evidência sobre quem autorizou os atentados e criticou o material apresentado, dizendo que não há provas de envolvimento direto de Adams; o julgamento continua.
Gerry Adams, ex-líder do Sinn Féin, afirmou ao tribunal superior que ficou gravemente surpreso com o atentado de Docklands em 1996 e negou ter estado no núcleo das operações do IRA. Ele é réu em uma ação civil que busca danos simbólicos.
O ex-político, de 77 anos, também negou ter conhecimento prévio do ataque ao distrito comercial de leste de Londres, que rompeu um cessar-fogo de 17 meses. Ele é acusado de pertencer ao IRA, ter integrado o conselho do exército e de ter participação nos atentados de Docklands, de Manchester e do Old Bailey.
Testemunho e questionamentos
No segundo dia, o advogado de defesa, Max Hill QC, sugeriu que Adams estaria por trás do Docklands para fortalecer a estratégia política do Sinn Féin. Adams afirmou que as explosões encerraram o cessar-fogo e podem ter autorizado o fim da via política de paz.
Hill questionou se Adams sabia com antecedência sobre a explosão de fevereiro de 1996. Adams respondeu que não e criticou a demonização de quem tentava buscar uma saída democrática para o conflito.
Defesa e andamento do processo
Foi citada uma nota interna do governo britânico de 1993 alegando que Adams estaria no centro do IRA, o que Adams rejeitou, afirmando que o governo buscava justificar a manutenção de uma agenda de paz. Ele salientou que sempre negou vínculos com o paramilitarismo.
Na ocasião, Adams pediu que as informações apresentadas não fossem usadas de forma distorcida por interesses. O advogado de Adams destacou a falta de evidência direta ligando o réu aos bombardeios — citando o conjunto de 6.000 páginas como insuficiente para incriminar o seu cliente.
O tribunal continua com as instruções de encerramento, sem conclusão nesta etapa, enquanto as testemunhas sobem ao banco para esclarecer a autoria e a autorização dos ataques. As partes aguardam novas provas.
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