- Peter Thiel, empresário e investidor ligado à Palantir, abriu em Roma um seminário de quatro dias intitulado “O Anticristo bíblico”, buscando influenciar elites locais.
- A atuação não contou com apoio da política italiana: Meloni e aliados não participaram, e autoridades evitam envolver-se com controvérsias internacionais.
- A Palantir tem contratos com o Ministério da Defesa de alguns países; o governo italiano negou qualquer encontro oficial com Thiel durante a visita. Thiel chegou a Roma após reunião no Japão com a primeira-ministra ultraconservadora, Sanae Takaichi.
- O Vaticano criticou a presença de Thiel, chamando a atitude de uma intromissão de um círculo ultraconservador dos EUA; o Papa afirmou que Deus não pode ser recrutado pelas trevas.
- O evento ocorreu no Palácio Taverna, com participantes de partidos de direita italianos; houve segredo inicial sobre o local, seguido de cobertura da imprensa.
Peter Thiel, empresário norte-americano e dono da Palantir, desembarcou em Roma para realizar um seminário de quatro dias próximo ao Vaticano. O tema divulgado foi o Anticristo bíblico, em uma iniciativa que reuniu poucos convidados, mantidos sob sigilo. A presença ocorreu em meio a um cenário de distanciamento político e tensões diplomáticas.
O evento, promovido por uma associação ultraconservadora, teve início no domingo e atraiu apenas figuras de menor expressão de blocos políticos italianos, sem nomes de peso. A imprensa local monitorou a movimentação, enquanto o ministério de Defesa da Itália negou qualquer encontro oficial com Thiel. A agenda previa encontros privados e uma cerimônia religiosa posterior em Roma, sem confirmação de presença do anfitrião no local da missa.
Roma também acena para sinais de alerta institucional. O Vaticano classificou a visita como uma intromissão de um mundo ultraconservador americano, com postura crítica a iniciativas ligadas à inteligência artificial e a narrativa de dominância tecnológica. O Papa citou que Deus não pode ser recrutado pela escuridão, em referência indireta ao debate sobre IA e governança global.
A relação entre o seminário e o poder político italiano ficou em segundo plano diante de um quadro político interno volátil. A Primeira-Ministra Giorgia Meloni atravessa um momento delicado, com o referendo sobre reformas na magistratura em pauta. O seu governo tem buscado evitar confrontos com figuras associadas a visões extremas ou controversas.
Thiel já havia realizado atividades públicas em San Francisco e Tóquio, e recentemente chegou a Roma vindo do Japão, onde participou de encontros com líderes conservadores. O magnata sustenta a ideia de que a liberdade plena seria incompatível com a democracia, defendendo que uma elite tecnológica debata o futuro da sociedade.
Contexto político e religioso
O debate sobre a atuação de Thiel acontece em meio a tensões entre a política italiana e o enredo sobre a guerra na região. Itália, com forte tradição católica, tem mostrado resistência a visões que questionem instituições religiosas ou que promovam agendas ultraconservadoras. A presença do empresário americano, sustentada por contratos da Palantir em outros países, não recebeu apoio institucional nem de autoridades italianas.
Local do evento e logística
O enclave escolhido foi o palácio Taverna, no centro de Roma. A organização do seminário foi conduzida pela associação Vincenzo Gioberti, com exigência de silêncio absoluto e proibição de uso de celulares. A programação previa ainda uma missa em latim em templo próximo, sem confirmação de participação de Thiel. No encerramento, uma recepção aconteceu no instituto Cluny, ligado à Catholic University of America.
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