- O cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, alertou que a vitória de uma empresa chinesa no leilão do Tecon 10 pode comprometer a soberania do Brasil e estremecer as relações com o presidente dos EUA, Donald Trump.
- O leilão do megaterminal Tecon 10, no porto de Santos, custa mais de R$ 6 bilhões e deve ocorrer no segundo semestre, após adiamentos.
- Murakami criticou o modelo do Tribunal de Contas da União (TCU) que proíbe a participação de empresas que já operam em Santos, dizendo que o leilão precisa ser justo e não excluir empresas transparentes; Maersk e MSC, já atuantes no terminal, foram citadas.
- Há interesse da chinesa Cosco Shipping no Tecon 10, mas a restrição atual impede a participação; Lula tem discutido a situação com o TCU, conforme o governo.
- O Tecon 10 terá área de 621,9 mil metros quadrados, capacidade para movimentar mais de três milhões de contêineres por ano e contrato de arrendamento de 25 anos, elevando a capacidade do porto em cerca de cinquenta por cento.
O consulado dos Estados Unidos em São Paulo informou ao governo brasileiro que a vitória de uma empresa chinesa no leilão do megaterminal Tecon 10, em Santos (SP), pode colocar em risco a soberania nacional e afetar as relações com a administração americana. A advertência foi feita pelo cônsul Kevin Murakami, na semana passada, durante palestra a empresários.
Murakami criticou o modelo atual do leilão, que segundo ele privilegia empresas chinesas estatais e pode comprometer a gestão da maior porta de entrada da América Latina. A fala foi dada em entrevista à imprensa local, reagindo a restrições do TCU que impedem a participação de operadoras já ativas em Santos.
Pelo lado brasileiro, o governo tem buscado alternativas para ampliar a competição sem reduzir a soberania. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escalou o ministro Silvio Costa Filho, de Portos, para tratar do assunto junto ao TCU e à Antaq. As negociações visam reajustar a modelagem do edital.
Costa Filho afirmou que a pasta e a Antaq avaliam abrir participação a mais grupos, inclusive armadoras já atuantes no porto. O presidente da Antaq, Frederico Dias, reiterou que o governo discute mudanças na modelagem conforme orientações do TCU.
A Brasil Agência Nacional de Transportes Aquaviários sinalizou que o Tecon 10 tem área de 621,9 mil metros quadrados e capacidade de movimentar mais de 3 milhões de contêineres por ano. A expectativa é ampliar em cerca de 50% a capacidade do complexo portuário com o novo terminal, cuja concessão tem prazo de 25 anos.
Pelo menos uma empresa chinesa já havia demonstrado interesse no Tecon 10, a Cosco Shipping. Contudo, sob as regras vigentes, a operadora controlada pelo governo chinês não poderia disputar o leilão, o que alimenta o debate sobre a abertura do edital e a participação de operadores europeus como Maersk e MSC, já presentes no terminal.
As autoridades brasileiras ressaltam a importância estratégica do porto de Santos para a economia e para a cooperação regional no combate a atividades criminosas. A posição dos Estados Unidos, segundo fontes oficiais, busca apenas evitar riscos de dependência tecnológica e logística em um dos principais nós portuários da região.
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