- O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, afirmou que ucranianos teriam ameaçado sua família, ao publicar um vídeo dizendo que seus filhos também estariam sob risco.
- Orbán apresentou o vídeo como resposta a ameaças feitas por um ex-político ucraniano, em tom que sugeria vigilantes poderiam agir contra ele caso mantenha posição anti-Ucrânia.
- A escalada acontece em meio a tensões entre Budapeste e Kyiv, com eleições na Hungria marcadas para 12 de abril e sondagens mostrando Orbán atrás do adversário Péter Magyar.
- Na última semana, a Hungria vetou sanções adicionais à Rússia e um empréstimo de € 90 bilhões à Ucrânia, ampliando a divisão com Kyiv.
- Em outra medida polémica, a polícia anti-terrorismo húngara apreendeu um comboio de ativos da Oschadbank, banco estatal ucraniano, com milhões de euros e barras de ouro, prendendo sete ucranianos e expulsando-os para a fronteira.
Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, revelou que acredita ter recebido ameaças da parte de ucranianos contra sua família. A declaração ocorreu em um vídeo divulgado na quarta-feira, no contexto de um atrito cada vez mais áspero entre Kyiv e Budapeste. Orbán afirmou falar com suas filhas por telefone e disse que as ameaças são graves, mas que não devem gerar medo.
O deputado ucraniano Hrihoriy Omelchenko, ex-membro do serviço de segurança SBU, era apontado como responsável por mensagens que sugeriam vigilantes poderiam perseguir o premiê caso ele mantenha posição antagonista a Kyiv. Em resposta, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy proferiu palavras que levantaram a cautela entre aliados europeus, ao mencionar a possibilidade de divulgar endereços de autoridades.
A tensão entre os dois países se intensificou após Kyiv informar que levaria semanas para reparar um oleoduto que transporta petróleo russo até a Hungria, danificado em ataque drone. Em reação, Orbán vetou sanções adicionais da UE contra a Rússia e um empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia.
Na semana passada, a polícia antiterrorismo da Hungria apreendeu um comboio com dois carros blindados pertencentes ao Oschadbank, banco estatal ucraniano, contendo dezenas de milhões de euros em dinheiro e 9 kg de barras de ouro. Sete ucranianos que acompanhavam a carga foram detidos e depois deportados para a fronteira com a Ucrânia.
Os detidos ficaram sem contato por mais de 24 horas, de acordo com o advogado Lóránt Horváth, que representa os sete. O dinheiro e o ouro permanecem em território húngaro. O advogado afirmou que toda a operação foi realizada sem assistência jurídica adequada, e que um dos detidos recebeu atendimento médico durante a custódia.
Segundo a Ucrânia, as autoridades locais relataram pressão psicológica e física sobre os detidos durante o interrogatório. Um interlocutor em Kyiv descreveu métodos de interrogatório que lembraram táticas russas, destacando possíveis tentativas de coagir os presos a gravar um vídeo de confissão.
A troca de acusações entre Kyiv e Budapeste não poupou críticas públicas. O ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, chamou as acusações de Kyiv de insuficientes e pediu esclarecimentos sobre a finalidade do envio do dinheiro, questionando se havia ligação com atividades ilícitas. Do lado ucraniano, Andrii Sybiha classificou o comportamento húngaro como hostil e citou suposta “sequestro” de ativos.
O pleito eleitoral na Hungria está marcado para 12 de abril. Analistas veem a disputa como vitrine de tensões com Kyiv, já que Orbán aparece atrás do adversário Péter Magyar em pesquisas, e o líder nacionalista busca manter apoio diante de eleições que podem encerrar seu governo de 16 anos.
Mudanças no tema: cenário político e desinformação
Fontes relatam que há relatos sobre uma campanha de desinformação associada a interesses alinhados ao Kremlin, com planos para impulsionar a reeleição de Orbán. Autoridades húngaras sinalizam estar em alerta diante de possíveis estratégias de influência externa durante o período eleitoral.
Entre na conversa da comunidade