- Hind Rajab, menina de cinco anos, ficou presa em Gaza City após o carro da família ser atingido por um tanque israelense em janeiro de dois mil e vinte e quatro, deixando Hind e a prima Layan vivas entre os mortos.
- Em doze dias, foram encontrados os corpos de Hind e dos parentes no carro, atingidos por centenas de tiros — trezentos e trinta e cinco estilhaços registrados.
- Paramedicoss, Ahmed al-Madhoun e Yusuf al-Zeino, morreram quando a ambulância foi alvejada durante a operação de resgate autorizada pelo exército israelense.
- O filme The Voice of Hind Rajab, de Kaouther Ben Hania, utiliza áudio real das chamadas de Hind e está indicado ao Oscar de melhor longa internacional; aponta o relato humano por trás das imagens da violência.
- Após investigações de organizações internacionais e veículos como Forensic Architecture e o Washington Post, houve apontamentos de responsabilidade de forças israelenses; a administração Biden pediu uma investigação formal, sem ação adicional.
A história de Hind Rajab ganha repercussão mundial por meio de um filme que mistura horror e empatia. Em Gaza City, no dia 29 de janeiro de 2024, Hind, com 5 anos, ficou sozinha no carro após ataque de um tanque israelense. A caravana de familiares foi atingida e morreu quase todo mundo; Hind sobreviveu, mas ficou presa sob fogo.
A investigação histórica e jornalística mostra que Hind chamou repetidamente pela ajuda de uma equipe da Cruz Vermelha Palestina, que atuava no centro de resposta de Ramallah, na Cisjordânia. O contato remoto com profissionais de resgate se estendeu por horas, enquanto o veículo era alvo de disparos constantes, até que a ambulância chegou ao local.
O que aconteceu nos minutos seguintes: um fogo cruzado impediu a retirada segura de Hind. Em determinado momento, o veículo de resgate foi atingido perto de Hind, tornando inviável o salvamento imediato. Treze dias depois, as autoridades localizaram Hind e outros membros da família no interior do carro, com dezenas de ferimentos.
A história tornou-se peça central de The Voice of Hind Rajab, filme dirigido pela tunisiana Kaouther Ben Hania. O documentário utiliza gravações reais de chamadas ao serviço de emergência feitas no dia do ocorrido, para retratar os momentos finais da criança e a atuação dos profissionais de saúde.
O filme segue apenas quatro personagens na tela: os atendentes da Cruz Vermelha Nisreen, Omar, Rana e Mahdi, além da voz de Hind. A narrativa é construída com base em arquivos de áudio autênticos, sem ficção adicional, reforçando o tom factual da obra.
Bandas de controvérsia cercam a produção. Núcleos oficiais de Israel negaram a presença de tropas ou coordenações com a Cruz Vermelha durante o incidente, apesar de evidências de organizações independentes e veículos de imprensa indicarem o contrário. Investigações independentes coletivas apontam responsabilidade das forças israelenses pelo falecimento de Hind, de seus familiares e dos socorristas.
A produção estreita o foco na falha do sistema internacional para impedir ou responder a atrocidades em Gaza. O filme analisa também um momento político no qual o Tribunal Internacional de Justiça havia feito um alerta de possível genocídio e a comunidade internacional foi instada a agir, sem resultados percebidos na prática.
Recentemente, a obra recebeu aclamação em festivais, incluindo premiação e uma longa ovação, consolidando-se como uma leitura crítica sobre a resposta global a crises humanitárias. O otimismo dado pela narrativa contrasta com a dureza dos fatos retratados.
De que modo o filme dialoga com o presente? A produção permanece atenta às perguntas sobre como mecanismos legais e institucionais podem funcionar diante de situações extremas, sem oferecer soluções fáceis. A obra convida o público a testemunhar, sem concluir ou propor julgamentos.
Na prática, The Voice of Hind Rajab funciona como registro audiovisual de uma criança morta e de profissionais que lutaram para salvá-la, destacando limitações de uma rede humanitária amplamente discutida internacionalmente. A narrativa sustenta o peso de cada decisão tomada na linha de frente.
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