- Após o início da ofensiva de Israel e Estados Unidos contra o Irã, os hutíes do Iêmen permanecem cautelosos, sem anunciar ações concretas.
- Analistas destacam perdas recentes em ataques de EUA e Israel, temor de novas retaliações e pressões econômicas internas como motivos para a postura contida.
- Embora o líder Abdulmalik al-Huti tenha sinalizado disposição para intervir, o grupo não confirmou operações de apoio militar; reativar o bloqueio do mar Vermelho é uma possibilidade discutida.
- Internamente, o movimento enfrenta pressão entre ala dura e moderada, com a cúpula dividida sobre o caminho a seguir.
- Se o conflito se prolongar, especialistas avaliam que a intervenção pode ocorrer de forma calibrada, iniciando por ataques ao tráfego marítimo no mar Vermelho, o que já reduziria o fluxo de navios na região.
Milícias hutíes de Yemen permanecem cautelosas diante de possíveis novas retaliações dos Estados Unidos e de Israel, mesmo após o início da ofensiva contra o Irã. Analistas dizem que a prioridade é evitar escaladas enquanto avaliam custos e benefícios.
Um dia após o ataque inicial de Israel e dos EUA, em 28 de fevereiro, milícias alinhadas a Teerã reivindicaram ações contra bases norte-americanas no Iraque e em outros pontos da região. Na semana seguinte, o grupo libanês Hizbollah lançou retaliação a Israel pela morte de líderes iranianos, mas os hutíes ainda não reagiram de forma concreta.
Entre as razões da prudência estão o histórico de perdas com ofensivas americanas e israelenses nos últimos dois anos, além de dificuldades domésticas. O grupo controla parte do território de Yemen e enfrenta problemas para pagar salários e manter serviços básicos, sem contar a classificação de Organização Terrorista por parte dos EUA no ano anterior.
Caso o conflito se prolongue, especialistas dizem que os hutíes poderiam atuar de forma calibrada, mantendo o risco sem desfechar uma ofensiva total. Entre as possibilidades destacadas está a reabertura do bloqueio do tráfego marítimo pelo Mar Vermelho, uma rota estratégica para o comércio global.
O líder hutí Abdulmalik al-Huthi tem reiterado que a guerra é uma agressão contra muçulmanos e que o eixo de resistência possui capacidades para enfrentar o desafio. Contudo, até o momento, não houve anúncio de operações de apoio concretas por parte dos hutíes.
A avaliação entre analistas é de que a decisão de agir depende de pressões internas entre alas internas do movimento, com setores mais duros defendendo atuação e moderados alertando para riscos catastróficos. O equilíbrio influencia a estratégia a adotar em relação a Teerã e aos rivais regionais.
Especialistas destacam que, antes da ofensiva contra o Irã, os hutíes já haviam movido peças estratégicas, redistribuindo arsenais para reduzir vulnerabilidades. Caso intervenham, a hipótese mais provável é início com ações visando controle político e danos limitados, antes de escalada maior.
O Mar Vermelho figura como área crítica, com trânsito que representa parte relevante do comércio global. Um retorno de ataques nessa rota poderia intensificar a pressão regional, sobretudo diante do cercado iraniano no estreito de Ormuz, aumentando a complexidade para países da região e do mundo.
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