- O Banco de Desenvolvimento dos EUA (DFC) encerrou abruptamente o mandato do diretor do Mecanismo Independente de Responsabilidade (IAM), deixando a função sem representantes.
- Mehrdad Nazari foi o primeiro diretor do IAM, em cargo desde 2024; soube em janeiro que seu mandato não seria renovado, apesar de elegível para extensão de cinco anos.
- O IAM avalia queixas sobre danos ambientais, trabalhistas e de direitos humanos relacionados a projetos financiados pelo DFC, incluindo o projeto Rovuma de gás natural em Moçambique.
- A decisão ocorre em meio a críticas sobre o nível de supervisão independente dos projetos financiados pelo DFC, com preocupações de grupos de accountability sobre a redução dessa fiscalização.
- O DFC informou que está buscando um substituto para o IAM e que o processo de recrutamento está em andamento.
O banco de desenvolvimento dos EUA, a International Development Finance Corporation (DFC), encerrou abruptamente o mandato do diretor do seu Mecanismo Independente de Responsabilidade (IAM), responsável por avaliar danos ambientais e sociais de projetos financiados. A decisão deixa o escritório do IAM sem funcionários, conforme informado pela própria instituição.
Mehrdad Nazari ocupava o cargo desde 2024 e foi informado, em janeiro, pelos advogados da DFC, que seu mandato não seria renovado para além de fevereiro, mesmo sendo elegível para uma extensão de cinco anos. Sob sua gestão, o IAM avaliou reclamações associadas a financiamentos da DFC, incluindo o projeto Rovuma de gás natural da ExxonMobil, em Moçambique.
O que acontece e quem está envolvido
A DFC foi criada com apoio bipartido no Congresso americano para ampliar investimentos privados alinhados a objetivos de política externa dos EUA e reduzir a influência de dívidas emitidas por governos estrangeiros. O IAM é a estrutura interna responsável por examinAR queixas sobre impactos ambientais, trabalhistas e de direitos humanos de projetos apoiados pela DFC.
Nazari afirmou que, segundo advogados seniores da DFC, a decisão de não renovar o mandato veio para permitir que cada novo governo traga sua própria atuação. A liderança do IAM, porém, permanece sem substituição confirmada até o momento, elevando dúvidas sobre o funcionamento de supervisão independente.
Contexto, dados e desdobramentos
O portfólio da DFC soma mais de 40 bilhões de dólares, com teto de investimento estendido a 200 bilhões no ano passado. O IAM tem como função analisar denúncias contra projetos financiados pela instituição, o que inclui casos envolvendo direitos humanos e impactos ambientais.
A demora na renovação do mandado, segundo fontes, coincide com questionamentos sobre o grau de independência do mecanismo frente a decisões de alta gestão. Analistas destacam que a substituição do diretor pode ser interpretada como sinal de mudança na vigilância de projetos financiados pela DFC.
Stephanie Amoako, diretora de políticas da Accountability Council, em Washington, expressou preocupação com o enfraquecimento da supervisão independente. Ela ressaltou que o trabalho do IAM sob Nazari ganhou impulso e que a não renovação suscitou questionamentos sobre o compromisso da DFC com governança independente.
O que vem a seguir
A DFC confirmou a exoneração de Nazari e informou que trabalha para recrutar um substituto. O diretor executivo da instituição, cuja nomeação é de responsabilidade do presidente dos EUA, permanece sob avaliação institucional.
Nazari afirmou que não recebeu respostas a e-mails dirigidos à liderança política ao longo do último ano, citando dificuldades de contato desde a mudança de administração. A equipe do IAM, em sua maior parte, é formada por funcionários civis, com atuação voltada a responsabilizar projetos financiados pela DFC.
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