- O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, fez um discurso institucional criticando a possibilidade de nova guerra no Oriente Médio e defendendo prioridades nacionais sem se alinhar aos EUA.
- Sánchez afirmou que uma nova intervenção militar traria mortes, destabilização global e consequências econômicas, e fez críticas aos líderes que lucram com conflitos.
- Espanha havia sido alvo de pressões de Donald Trump, que ameaçou cortar o comércio por recusas de bases conjuntas em Andaluzia para atacar o Irã.
- Outros líderes europeus, como o alemão Friedrich Merz, o francês Emmanuel Macron e a italiana Giorgia Meloni, não foram unânimes nem fizeram oposição firme a Trump, mantendo posições pragmáticas ou ambíguas.
- O governo espanhol reiterou que mantém a posição de “não ao conflito” e que não houve mudança na posição de cooperação com o esforço militar norte-americano.
A Espanha foi o único país da Europa a enfrentar diretamente a postura de Donald Trump diante da crise iraniana. Na manhã de quarta-feira, o primeiro-ministro Pedro Sánchez apresentou uma declaração institucional de cerca de 10 minutos na televisão, com foco na prevenção de um novo conflito no Oriente Médio e nos impactos econômicos globais. O tom foi de ruptura com a linha de pressão dos EUA.
Sánchez argumentou que uma nova guerra na região provocaria mortes, desestabilizaria o mundo e traria consequências econômicas negativas. O líder destacou a obrigação do governo de proteger e melhorar a vida dos cidadãos e rejeitou a ideia de financiar conflitos que não beneficiem a Espanha. Ele também apontou que democracias não devem servir de justificativa para erros de gestão.
O discurso teve respaldo entre setores da esquerda, mas provocou reações adversas entre partidos de oposição. A liderança conservadora criticou a politização do tema e a possível deterioração da relação com Washington. A ala de direita acusou o premiê de usar o tema para fortalecer a imagem no poder, diante de escândalos internos.
Reações na Europa
Na França, o presidente destacou a solidariedade europeia diante das ameaças comerciais, mantendo ao mesmo tempo críticas à atuação dos EUA. Macron defendeu uma abordagem diplomática para reduzir tensões e afirmou que ataques na região devem seguir o direito internacional, sem omitir responsabilidades de diversas partes envolvidas.
Na Alemanha, o chanceler mergou em uma postura mais pragmática. Falou em buscar espaço de manobra para Europa, sem confrontar diretamente Trump. Em Berlim, o governo manteve apoio à cooperação transatlântica, mas evitou alinhar-se totalmente a uma linha de confronto. O pedido de aumento do gasto militar europeu segue em debate.
Na Itália, o governo manteve tom ambíguo. A primeira-ministra Meloni enfatizou que não há intenção de entrar em guerra e destacou a necessidade de respeitar o direito internacional, enquanto ministros destacaram que ações contrárias às leis internacionais teriam consequências. A posição de Roma permanece na corda bamba entre alianças.
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