- A internet iraniana está com queda de cerca de 99% no tráfego externo, após ataques aéreos que interromperam ainda mais a conexão.
- O regime mantém funcionamento do NIN, a intranet nacional, enquanto o acesso à internet global fica restrito a elites, governo, militares e algumas brechas técnicas.
- Mesmo com reduzir tráfego, houve instabilidade adicional em redes remanescentes, possivelmente causada por danos de ataques aéreos, e infrastrutura crítica sofreu prejuízos.
- Ferramentas de contorno, como a plataforma Conduit ( Psiphon), seguiram sendo usadas por milhares de iranianos para acessar a rede mundial, mesmo com o blackout total recente.
- Na virada do conflito, houve picos de uso: em janeiro, até 9 milhões de iranianos utilizavam Conduit; 19 milhões eram usuários únicos dentro do Irã em janeiro e mais de 21 milhões em fevereiro.
O Irã vive um novo momento de grande incerteza na circulação da internet. O país registra queda abrupta de conectividade, com queda estimada em 99% no tráfego de redes globais desde o ataque recente, enquanto ataques aéreos também devem ter causado novas interrupções. A internet nacional continua funcionando, em grande parte, por meio da Intranet Nacional (NIN) e de aplicativos locais, mantendo atividades cotidianas em andamento para quem tem acesso aos recursos internos.
Especialistas indicam que, apesar de ferramentas de acesso externo ainda funcionarem parcialmente, o blackout total limita fortemente a capacidade de trabalhar, comunicar-se com o exterior e registrar informações independentes. O governo, a indústria e um grupo restrito de elites parecem manter brechas que permitem certa conectividade externa, via terminais de Starlink, por exemplo.
O que aconteceu: no contexto de escalada militar entre EUA, Israel e o Irã, houve ataques com mísseis que, segundo analistas, contribuíram para a interrupção da infraestrutura de rede e de energia. A interrupção geral ocorreu após o lançamento de ataques no final de fevereiro, com queda maciça do tráfego de redes em quase todos os operadores locais.
Quem está envolvido: o governo iraniano, junto com as forças armadas, é apontado como responsável pela gestão e aplicação de bloqueios. Empresas de monitoramento, universidades e organizações de direitos digitais relatam o funcionamento da NIN como solução parcial para manter a atividade econômica e social. Organizações de defesa digital monitoram o impacto sobre a privacidade e a liberdade de expressão.
Quando e onde ocorreu: a interrupção se intensificou a partir de 28 de fevereiro, em território iraniano. A queda de conectividade permanece acumulando efeitos ao longo das semanas subsequentes, em um país com histórico de paralisações de rede nos últimos anos.
Por quê: o regime afirma justificar o controle de informações e a necessidade de estabilidade durante o conflito militar. Observadores destacam que a NIN cria um acesso hierarquizado, permitindo a conectividade externa apenas a elites e instituições selecionadas, enquanto a população comum fica isolada. Relatos indicam uso de mensagens de texto para coibir o acesso ao outside internet.
Desdobramentos e efeitos: a infraestrutura crítica permanece vulnerável a falhas técnicas provocadas por ataques aéreos, segundo análises de especialistas. Projetos de monitoramento indicam que, mesmo com a queda, a rede interna continua operante, mas a capacidade de observar o estado real da conectividade é prejudicada pela suspensão de partes da infraestrutura externa.
Ferramentas de绕limbamento: grupos de direitos digitais no Irã observam esforços para promover um motor de busca doméstico e alertas legais contra a conexão com a internet global. Em paralelo, plataformas de compartilhamento de dados dentro da intranet continuam em atividade, influenciando a narrativa governamental e a cooptação de informações.
O papel da comunidade internacional e de iniciativas técnicas é destacado por analistas. O uso de plataformas de uso compartilhado, como redes peer-to-peer, permanece como alternativa para que cidadãos acessem recursos globais, ainda que em capacidade significativamente reduzida. O panorama aponta para uma internet no Irã cada vez mais segmentada, com futuro incerto diante da continuidade do conflito e das medidas de censura.
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