- Os curdos são um povo de 30 a 40 milhões de pessoas, sem nação própria, que vivem principalmente nos arredores das fronteiras entre Argentina, Iraque, Irã, Síria e Turquia (regiões montanhosas).
- Historicamente, ficaram sem estado próprio após o fim do Império Otomano; por décadas dependem de milícias locais, como os peshmerga, para defesa.
- Possuem cultura distinta, idioma relacionado ao persa e um histórico de conflitos com regimes autoritários e com potências externas que tentaram explorá-los.
- Na Síria, desempenharam papel importante na derrota do Estado Islâmico com apoio da coalizão liderada pelos EUA, mas os planos americanos favoreceram estratégias com a Turquia, limitando as aspirações curdas.
- Há relatos de que a administração de Donald Trump poderia mobilizar curdos de oposição iraniana para enfraquecer o regime iraniano, com apoio aéreo e consultoria militar dos EUA, embora avanços significativos em território iraniano sejam improváveis.
Os curdos somam entre 30 e 40 milhões de pessoas e vivem em áreas que hoje ficam entre Turquia, Irã, Iraque, Síria e Armênia. Não possuem um estado próprio e dependem de milícias locais para defesa, como os peshmerga.
A reportagem analisa a trajetória de um povo cujo passado inclui repressão, deslocamentos e promessas não cumpridas de potências externas. A identidade curda pulsa na língua, cultura e tradições distintas, apesar da diversidade interna.
Desde a Segunda Guerra Mundial, governos autoritários na região têm marginalizado os curdos. Intervenções de potências externas já provocaram divisões internas e impactos humanos em várias comunidades.
Na Turquia, o conflito com o PKK provocou milhares de mortes e deslocamentos. No Iraque, Saddam Hussein usou armas químicas contra curdos no norte; após 1991, os curdos estabeleceram uma região semiautônoma.
No Irã, regiões curdas têm resistência histórica a autoridades centrais, com momentos de grande agitação, como após a morte de Mahsa Amini em 2022. Protestos continuaram em 2025 e 2026, conforme relatos regionais.
Na Síria, curdos desempenharam papel estratégico no combate ao Estado Islâmico com apoio da coalizão liderada pelos EUA. Contudo, o objetivo de consolidar um estado curdo ficou aquém do desejado, influenciando negociações regionais.
Pontos-chave indicam que, com apoio aéreo e assessoria militar dos EUA, os peshmerga poderiam atuar em áreas curdas dentro do Irã, mas avanços profundos seriam improváveis. A estratégia seria desviar tropas iranianas para fronteira.
Analistas afirmam que a mobilização de curdos iranianos poderia inspirar outras comunidades dentro do Irã a se levantarem, potencialmente com apoio externo. Ainda assim, há riscos de escalada e retaliações.
Líderes curdos do norte do Iraque dizem que permanecerão neutros por ora. Essa posição reflete a experiência histórica de o povo curdo ficar entre choques entre potências, buscando proteção nas montanhas.
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