- Pastor Valentine Hanan, de Aleppo, permaneceu na cidade mesmo com choques e deslocamentos, abrindo a igreja para refugiados e oferecendo abrigo, refeições e remédios a mais de cinquenta famílias.
- Em janeiro, combates entre o governo sírio e militantes curdos aumentaram, levando moradores de Sheikh Maqsood e Ashrafieh a fugirem; o SDF se retirou e o governo assumiu o controle da área.
- Durante os confrontos, foram registradas dezenas de mortos e cerca de 150 mil pessoas foram deslocadas; muitos cristãos temem mais violência e buscamSaindas de emigrar.
- A comunidade cristã síria vem observando uma queda drástica de fiéis no país, com a economia em crise e serviços públicos precários, o que impulsiona a emigração entre jovens.
- Ainda assim, alguns pastores, como Hanan e Mazen Hamate, veem potencial de revival graças à continuidade de missões, convertidos curdos e novos contatos que fortalecem a fé local, mesmo diante dos riscos.
Pastores sírios insistem em permanecer no país, mesmo diante de conflitos que expulsaram parte da comunidade cristã. O relato acompanha Valente Hanan, pastor de Aleppo, que já mudou de casa quatro vezes desde o início da guerra em 2011, e Mazen Hamate, líder em Tartus e Safita. A atuação das igrejas tem sido de abrigo e suporte a deslocados.
Em janeiro de 2026, a cidade de Aleppo vivenciou intensos confrontos entre forças do governo e militantes curdos, afetando bairros como Sheikh Maqsood e Ashrafieh. Em meio ao fogo, Hanan e fiéis acolheram famílias deslocadas, oferecendo abrigo, refeições e remédios. O retorno ocorreu apenas após a retirada das milícias.
Desafios e contexto
A disputa envolve mudanças políticas, com negociações entre o governo e as Forças Democráticas Syrian (SDF) para integrar milícia às forças armadas, enquanto violência persiste em diversas regiões. O governo confirma controle de áreas antes disputadas, aumentando o temor entre comunidades minoritárias, inclusive entre cristãos curdos.
A igreja de Hanan tornou-se ponto de apoio para mais de 50 famílias, com atividades que retornaram aos moldes normais, mas com cautela. Alguns fiéis voltaram para casas danificadas, encontrando pertences saqueados e estruturas arruinadas. Serviços passaram a ser realizados com restrições temporárias.
Conservando a fé e a presença comunitária
Apesar da emigração crescente, líderes afirmam responsabilidade de permanecer para servir as comunidades. Em Aleppo, curdos convertidos ao cristianismo relatam novos níveis de participação religiosa, com igrejas aumentando o número de frequentadores e de novos membros.
Mazen Hamate observa que muitos desejam sair, seja temporariamente ou de forma permanente, diante da deterioração econômica. No entanto, parte da congregação permanece por sensação de chamado espiritual e pela dificuldade de deixar familiares e negócios.
Cenário econômico e social
A guerra deixou a economia devastada, serviços precários e alta pobreza. Estima-se que a maioria da população viva abaixo da linha de pobreza, com consumo de energia irregular e cortes frequentes. Tais condições alimentam a percepção de que a emigração pode ser uma saída para jovens.
Apesar das dificuldades, lideranças religiosas destacam o papel de estar presente em momentos de crise. A igreja de Hanan celebra avanços, como o surgimento de uma nova igreja cristã curda em Hasakah, sinalizando mudanças na composição religiosa entre comunidades tradicionais.
Olhares para o futuro
Pastores destacam que, mesmo diante de riscos, a presença institucional cristã é vista como forma de manter vínculos comunitários. Em Jaramana, próximo a Damasco, assistentes pastorais relatam que muitos fiéis não possuem alternativa de deslocamento e que a igreja atua para oferecer apoio contínuo.
Entre a população, persiste o debate sobre estabilidade política e proteção de minorias. Observadores apontam que ataques extremistas continuam a representar ameaça, alimentando a incerteza sobre o futuro das comunidades cristãs na região.
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