- Antes das eleições de 5 de março, cresce no Nepal o impulso de uma agenda hindu nacionalista, com apelos para reinstituir o rei e encerrar o secularismo.
- Em Janakpur, templo de Ram e símbolos hindus mobilizam fiéis e fortalecem a influência de redes associadas ao BJP, marcado pela inauguração do Ram Mandir na Índia.
- O ex‑rei Gyanendra Shah, que perdeu o trono em 2008, tornou-se figura de mobilização para o movimento monarquista, recebendo apoio em comícios e vídeos públicos.
- A temporada eleitoral também favorece o Rastriya Swatantra Party (RSP), liderado por Rabi Lamichhane, que tem ganhado apoio urbano e promete enfrentar corrupção e economia fraca.
- Analistas alertam para riscos de polarização religiosa e para o desafio de manter Nepal como república secular, com minorias religiosas potencialmente mais vulneráveis.
A poucos dias das eleições parlamentares de Nepal, a expectativa de mudanças na ordem secular e o ressurgimento do monarquismo ganham espaço no debate público. Em Janakpur, templos e comícios mostraram a presença de símbolos de Hindu nacionalismo próximos à fronteira com a Índia, sinalizando tensão entre tradição e Estado Laico.
A presença do ex-rei Gyanendra Shah emerge como referência para simpatizantes monarchistas. Milhares o saudaram na capital e, em panfletos, o chamado “Rei, venha salvar o país” ganhou adesão entre apoiadores do retorno da monarquia.
Em Janakpur, a multidão ouviu hinos devocionais para Sita e acompanhou a ascensão de símbolos ligados a Ram no recente ciclo político hindu. O cenário reforça a ligação entre fé, identidade nacional e mobilização eleitoral, com a contenda entre vizinhos intensificando o debate.
A poucos quilômetros dali, a crise política de 2025-2026 continua a influenciar o clima eleitoral. Protestos de jovens cobraram reformas e resultado eleições sem crises, após repressão violenta que deixou dezenas de mortos e forçou a formação de um governo interino.
Os partidários do retorno da monarquia veem Gyanendra como figura capaz de unir o país, em meio a críticas sobre a erosão da democracia durante o fim do regime constitucional. O tema, porém, divide opiniões entre eleitores, que pedem também maior foco em economia e combate à corrupção.
O Partido Rastriya Prajatantra (RPP), tradicionalmente monarquista, organizou o apoio ao ex-rei em Janakpur. Líderes do RPP defendem que uma monarquia constitucional pode reduzir a polarização política, ao mesmo tempo em que promovem a Hindu state como objetivo de governo.
Não há consenso entre as pesquisas sobre a vitória de partidos monarquistas. O Rastriya Swatantra Party (RSP), liderado por Rabi Lamichhane, surge como principal concorrente, oferecendo uma imagem de liderança jovem e combate à corrupção, sem alinhamento claro com a agenda religiosa.
Analistas veem riscos de ascensão de uma agenda religiosa para além do monarquismo, com sinais de que a retórica de Hinduismo nacionalista se expandiu para além de Janakpur. Isso pode afetar minorias religiosas e comunidades locais próximas à fronteira com a Índia.
Especialistas destacam que o resultado depende da capacidade de estabilizar a política diante da crise de legitimidade que persiste desde os protestos de 2022. A vontade popular, ainda incerta, pode favorecer um governo dedicado a mudanças estruturais.
Autoridades observam que a próxima etapa eleitoral pode definir o rumo institucional do Nepal, frente a tensões entre tradições religiosas, restauração monárquica e reformas constitucionais. O desfecho pode remodelar o equilíbrio entre fé, política e governança.
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