- No dia 8 de setembro do ano passado, milhares de nepaleses protestaram contra a corrupção e o desemprego próximo ao prédio do parlamento; cerca de duas horas depois, Rashik Khatiwada, com 23 anos, foi morto e 77 pessoas morreram em dois dias de manifestações que levaram à queda do primeiro-ministro K. P. Sharma Oli e anteciparam as eleições gerais.
- O levante juvenil fortaleceu o desejo de mudança entre muitos nepaleses, incluindo familiares de vítimas, influenciando a campanha eleitoral.
- Balendra Shah, rapper que virou político, surge como principal candidato a primeiro-ministro; Rashik Khatiwada está entre os apoiadores da Rastriya Swatantra Party, que Shah ingressou em janeiro.
- A família de Binod Maharjan, 34 anos, artista que participou dos protestos, ainda busca saber quem é responsabilizado pela violência, após ele ter sido morto.
- Viúvas e familiares recebem promessas de ajuda, como indenização de 1,5 milhão de rúpias a 42 viúvas de mortos em protestos; porém há cobranças por empregos, apoio médico de longo prazo e pensões, com apoio contínuo a candidaturas da RSP.
O afluxo de protestos no Nepal, iniciado contra corrupção e desemprego, resultou na morte de 77 pessoas em dois dias, em setembro do ano passado. Rashik Khatiwada, de 23 anos, foi baleado perto do prédio do parlamento, durante a manifestação que reuniu centenas de jovens.
O levante acabou levando à renúncia do então primeiro-ministro K P Sharma Oli e abalou o sistema político do país, abrindo espaço para a campanha que antecede as eleições gerais de quinta-feira. A comoção entre familiares das vítimas molda o cenário político atual.
A mãe de Rashik, Rachana Khatiwada, questiona a atuação dos líderes passados e afirma que a população busca justiça e responsabilização. O descontentamento com a elite política alimenta o movimento que envolve jovens e parte da oposição.
Familiares na linha de frente
Binod Maharjan, 34, jovem artista que participava das manifestações, foi morto na mesma onda de protestos. A família descreve a repercussão emocional e a busca por respostas sobre o que ocorreu.
Lata Maya Maharjan, mãe de Binod, relembra o dia em que o filho não retornou, após sair para defender mudanças políticas. A família mantém a esperança de que as próximas eleições tragam melhorias.
Parbati Subedi, 28, trabalha como doméstica e está entre as viúvas que apoiam a mudança. O impacto econômico da perda é evidente, com a necessidade de sustentar a filha após a morte do marido.
Caminhos políticos e promessas
Dev Kumar Subedi, 29, policial que recebeu ferimento na região do estômago, destaca a demanda por mudanças profundas na liderança. O governo interino já entregou 1,5 milhão de rúpias a famílias de 42 das 77 vítimas, como compensação.
Alguns familiares mencionam promessas não integralmente cumpridas, como oportunidades de emprego para dependentes e apoio médico de longo prazo. Afirmações de voto acompanham a avaliação sobre as propostas de partidos, incluindo o Rastriya Swatantra Party (RSP), ao qual Balendra Shah se vota.
A investigação oficial, conduzida por uma comissão estatal, ainda aguarda desfecho sobre o uso de munição durante as manifestações. O relatório final está previsto para ser divulgado após as eleições gerais.
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