- O governo dos EUA ampliou a retórica anti-vacina e sinalizou que o sarampo não é prioridade, o que pode impactar a vigilância global e a eliminação da doença.
- A Organização Mundial da Saúde informou que seis países europeus — Reino Unido, Espanha, Áustria, Armênia, Azerbaijão e Uzbequistão — perderam oficialmente o status de eliminação do sarampo, com transmissão contínua por mais de doze meses.
- No Reino Unido, a vacinação contra o sarampo caiu para 84% das crianças de cinco anos receberem as duas doses da vacina tríplice viral (MMR) em dois mil e vinte e quatro.
- A decisão de retirar financiamento da Rede Global de Laboratórios de Sarampo e Rubéola (GMRLN) levanta preocupações sobre a detecção e contenção de surtos, já que a rede é essencial para vigilância global.
- Especialistas destacam que o discurso americano pode ter efeito de frustração internacional, prejudicando a coordenação global em vigilância e resposta a viagens que alimentam a transmissão do sarampo.
O governo dos EUA tem intensificado discurso antivacina e sinalizado que o sarampo não é prioridade, o que pode impactar a vigilância global. Países já enfrentam queda na cobertura e risco de perder a eliminação do vírus, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A OMS informou que seis países europeus — Reino Unido, Espanha, Áustria, Armênia, Azerbaijão e Uzbequistão — perderam oficialmente o status de eliminação do sarampo, com circulação contínua por mais de 12 meses. A imunização precisa chegar a 95% das crianças para conter o vírus.
Na prática, a vacinação no Reino Unido caiu significativamente, com apenas 84% das crianças de cinco anos recebendo as duas doses da vacina MMR em 2024. O país é apontado como centro de hesitação vacinal, associada a narrativas refutadas sobre ligação entre vacinas e autismo.
Riscos para a vigilância global
Especialistas afirmam que a queda na imunização favorece a transmissão internacional, diante de viagens e contatos entre países. A rede de laboratórios GMRLN, coordenada pela OMS, tem papel central na detecção precoce de surtos, sobretudo em contextos de viagens internacionais.
Dados indicam que, sob a gestão de Kennedy, o governo americano tem reduzido financiamentos a mecanismos de vigilância, o que pode fragilizar a detecção de casos. A CDC tem apoiado redes como a GMRLN desde a criação, mas cortes orçamentários colocam a continuidade em risco.
Profissionais de saúde ressaltam que a eliminação do sarampo depende de cooperação internacional. Organizações regionais, como a PAHO, mantêm colaboração com redes de laboratórios na América, mas o cenário financeiro pode limitar a capacidade de resposta rápida a surtos.
Financiamento, influência e cenário internacional
Analistas destacam que ações de autoridades americanas podem ter efeito de esfriar o combate ao sarampo fora dos EUA. A comunicação pública e as escolhas orçamentárias influenciam a percepção de risco e a adesão a campanhas de vacinação em diversos países.
Enquanto isso, a OMS alerta que, sem financiamento estável para a rede de vigilância laboratorial, a detecção de novos surtos pode se tornar mais lenta, aumentando a vulnerabilidade de estados-membros. A situação exige avaliação contínua de políticas de saúde e cooperação internacional.
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